Arquivo do mês: março 2011

REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS – 1894/1930.

Este período também é conhecido como República do Café com Leite, pela sucessão de presidentes ligados as oligarquias paulista (café) e mineira (leite).

 

CAMPO X CIDADE

O Brasil do fim do século XIX e início do século XX tinha uma economia e uma população predominantemente rural. O café era o principal produto da pauta de exportações brasileira do período. A porção majoritária da população vivia no campo, como trabalhadores rurais, em sua maioria pobres e analfabetos, carentes inclusive da assistência do próprio Estado.

Já as cidades, em especial o Rio de Janeiro, capital administrativa, política e cultural do Brasil naquele período, sofriam forte influência da Europa. Os hábitos e o vestuário das elites era uma cópia dos europeus. Surgiam parques e grandes avenidas e a maior parte da população urbana, mais pobre, era empurrada para as periferias ou morros, dando origem as favelas, em um processo de marginalização social.

 

POLÍTICA

  • POLÍTICA DOS GOVERNADORES: era o mecanismo usado pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais para manterem-se  no poder central. Esse mecanismo consistia na concessão de privilégios às elites dos outros Estados, de menor expressão na política nacional. Em troca desses privilégios as elites estaduais apoiavam os candidatos de paulistas e mineiros à Presidênciada República. O principal privilégio concedido as elites estaduais era a homologação das eleições, que era feita pela Comissão de Verificação de Poderes, controlada pela Presidência da República, que deveria homologar o resultado de todas as eleições no Brasil. Sendo assim, a Comissão de Verificaçãosó homologava a eleição dos candidatos ligados as elites estaduais que apoiavam o Presidente da República e as oligarquias paulista e mineira.
  • CORONELISMO: eram chamados de “Coronel” os líderes políticos regionais, normalmente grandes proprietários de terra. Esses líderes locais garantiam a manutenção das oligarquias no poder. Esses “Coronéis” formavam grandes “currais eleitorais” pos mantinham em suas regiões um grande número de pessoas dependentes de seus favores. Além disso, esses “Coronéis” mantinham sob seu controle vastos contingentes de trabalhadores, que eram obrigados à seguir seus empregadores. Em caso contrário sofriam perseguições, agressões e o risco de ficarem sem trabalho, era o “voto de cabresto.”

ECONOMIA

  • AGRICULTURA: a política econômica dos governos desse período privilegiou a agricultura de exportação. O café era o principal produto brasileiro de exportação e o estado de São Paulo o maior produtor. No entanto, durante o início do século XX a economia cafeeira no Brasil passava por uma crise de superprodução, o que provocava queda no preço do café. Para diminuir as perdas dos cafeicultores foi assinado o Convênio de Taubaté, onde o Estado Brasileiro comprometia-se a comprar toda a produção de café por preços interessantes para os cafeicultores. Para tanto, foi necessário que o governo brasileiro contraísse emprestímos em bancos internacionais, aumentando a dívida externa da nação. Outros produtos tiveram participação na economia brasileira: o cacau, no sul da Bahia; a cana-de-açúcar e; a borracha, que entre os anos de 1905 e 1913 impulsionou a economia e a ocupação da região amazônica, sendo o Brasil, nestes anos, o principal fornecedor de latex para a indústria automobilística.

    "O Café", quadro de Candido Portinari.

  • INDÚSTRIA: durante todo o período, a indústria esteve relegada a segundo plano, estando os governos mais interessados em proteger os negócios dos produtos rurais. Porém, algumas cidades brasileiras já apresentavam um incipiente desenvolvimento industrial, em especial São Paulo e Rio de Janeiro. Os recursos necessários ao processo de industrialização provinham da atividade cafeeira, dos imigrantes e do capital financeiro internacional. A produção de bens de consumo era predominante, com destaque para a indústria têxtil, de alimentos e de sapatos. Porém, com a Primeira Guerra Mundial houve a necessidade de se substituir os produtos importados, provocando a diversificação da produção industrial brasileira.
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CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO


AS RELAÇÕES SOCIAIS NO FEUDALISMO: COLONATO, SUSSERANIA E VASSALAGEM.

 

Durante a Idade Média dois princípios foram norteadores das relações sociais: o Colonato e a Susserania e Vassalagem. O Colonato regrava as relações entre Senhores Feudais e Servos enquanto as relações de Susserania e Vassalagem regravam as entre os próprios Senhores Feudais.

 

COLONATO.

As invasões germânicas aos territórios romanos na Europa e seus consecutivos saques às cidades geraram uma situação de insegurança social nas áreas urbanas. Tal situação forçou uma migração em massa da população romana para a zona rural. Essa população ao chegar as propriedades rurais instalavam-se como colonos nas terras, ou seja, trabalhavam no cultivo das lavouras em troca de um pedaço de terra, parte da produção e proteção.

Durante o Período Medieval, o colonato vai ser a forma mais comum de exploração da mão-de-obra.

 

SUSSERANIA E VASSALAGEM.

É uma herança dos germânicos para a sociedade medieval. Consistia na distribuição de benefícios de um Senhor  Feudal para outro. Em contrapartida, o Senhor Feudal que recebia o benefício firmava um vínculo de fidelidade para com aquele que havia concedido o benefício. Desta forma criou-se uma rede de Senhores Feudais ligados por laços de fidelidade militar e econômico, que descentralizava o poder político na Idade Média.

Por benefício, durante o Período Medieval, entende-se grandes propriedades de terra. Recebia o nome de Susserano aquele Senhor Feudal que concedia o benefício e Vassalo o que recebia à terra.

 

 


GOVERNO FLORIANO PEIXOTO – 1891/1894.

Floriano Peixoto assumiu à Presidência da República após a renúncia de Deodoro da Fonseca.

O Governo do Marechal Floriano foi escorado em uma aliança entre o Presidente da República e o Congresso, dominado pelos cafeicultores paulistas, defensores do federalismo.

O Governo Floriano foi fundamental para a consolidação do regime republicano e abriu caminho para os cafeicultores assumirem o controle do Estado Brasileiro ao combater e reprimir revoltas que ameaçavam a República, como a Revolução Federalista e a Revolta da Armada.

REVOLUÇÃO FEDERALISTA.

No final do século XIX o Rio Grande do Sul enfrentava uma disputa política entre dois grupos, o Partido Republicano, positivista e representado pelas novas elites gaúchas, ligadas às cidades e; o Partido Federalista, com origem na oligarquia agrária gaúcha, os estancieiros pecuaristas.

Com a Proclamação da República Júlio de Castilhos foi indicado para a Presidência do Estado (Governador). Castilhos era líder do Partido Republicano e sua indicação levou a uma revolta liderada pelos Federalistas, antigos parceiros do Império, que se estendeu até os Estados de Santa Catarina e Paraná.

A repressão à revolta foi violenta, e Júlio de Castilho, aliado do Presidente da República, foi confirmado como Presidente do Estado.

 

REVOLTA DA ARMADA.

Foi um movimento deflagrado por setores da Marinha Brasileira em 1893.

A Revolta da Armada estava intrinsecamente relacionada a composição de forças nas regiões brasileiras. As oligarquias alijadas do poder nos Estados voltaram-se contra o Presidente com a justificativa da não convocação de eleições por Floriano, que deveria ter o feito no prazo máximo de dois à contar da renúncia de Deodoro em novembro de 1891.

Os revoltosos ganharam o apoio de monarquistas ligados à Marinha. No entanto, o Presidente contava com o apoio dos cafeicultores paulistas e do Congresso e reprimiu a Revolta, firmando sua imagem como defensor da República.

 


MISSÕES JESUÍTICAS.

Ruínas de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul.

 

A FUNDAÇÃO DA COMPANHIA JESUS.

A Companhia de Jesus foi fundada em 1534 no contexto da Contra-Reforma como uma das medidas para conter o avanço do Protestantismo. Seu fundador foi o espanhol Inácio de Loyola, que após ferir-se em uma batalha converteu-se totalmente à vida cristã.

A missão dos Jesuítas era difundir o Evangelho pelo mundo. A Educação foi um dos instrumentos fundamentais desta pregação. Muitos colégios jesuítas doram fundados na Europa e na América para cristianizar os povos e formá-los na doutrina católica.

 

OS JESUÍTAS EM PORTUGAL E NO BRASIL.

Os jesuítas passaram a atuar nos empreendimentos coloniais portugueses como missionários evangelizadores. Vários jesuítas vieram ao Brasil, os mais famosos foram os padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, com o objetivo de converter as populações indígenas.

Os primeiros colégios jesuítas foram fundados na Bahia e em São Vicente. Os jesuítas ensinavam retórica, humanidades, gramática, mas utilizavam principalmente a música e o teatro na evangelização dos indígenas.

AS MISSÕES JESUÍTICAS.

Para catequizar os indígenas os jesuítas organizaram em várias partes da América do Sul aldeamentos chamados “missões”. o objetivo dessa ação era transformar completamente o modo de vida dos indígenas, fazendo-os abandonar o politeísmo, a poligâmia e o antropofagismo, além de desvalorizar as funções dos pajés (líderes espirituais).

A porção sul do sub-continente e a região amazônica foram as que receberam a maior parte das missões jesuítas.

A organização interna das “missões” assemelhava-se a militar pela rígida disciplina e pela imposição do modo de vida católico aos indígenas. Os índios praticavam o artesanato, agricultura e a criação de animais. Quanto a catequização dos indígenas a música exerceu papel importante neste processo.


A EVOLUÇÃO DOS HOMINÍDEOS.

Segundo estudos com base na teoria evolucionista o ser humano pertence à cadeia evolutiva dos hominídeos. Para estabelecer essa linha são estudados fósseis, especialmente ossos e dentes, encontrados em regiões da Europa, Ásia e principalmente da África, além de vestígios de fogueiras, acampamentos e sepulturas.

A análise dos fósseis encontrados sugerem que os hominídeos surgiram na África e espalharam-se pelo planeta ao longo de milhões de anos.

  • Ardipitecos: viveram entre 5,5 e 4,5 milhões de anos atrás na região da Etiópia. Eram bípedes e alimentavam-se de vegetais.
  • Australopitecos: viveram entre 4 e 1,5 milhões de anos atrás. Eram bípedes e tinham longos braços. Penduravam-se em árvores, colhiam frutos e usavam pedras para caçar animais.
  • Homo habilis: viveram entre 2 e 1,5 milhões de anos atrás. Fabricava instrumentos simples de pedras e, também, cabanas. Desenvolveram algum tipo de linguagem. Alimentavam-se de vegetais e animais.
  • Homo erectus: viveram entre 1,6 milhão a 200 mil anos atrás. Fabricava ferramentas mais sofisticadas e vestia-se com peles de animais. Vivia em grupos de 20 a 30 membros e caçava grandes animais. Espalharam-se pela África, Ásia, Europa e Oceania.
  • Homo neanderthalensis: viveram entre 230 e 30 mil anos atrás. Fabricava diversas ferramentas e armas, além de cabanas. Conviveu com os primeiros homens modernos e desapareceu por motivos desconhecidos.
  • Homo sapiens: surgiu a aproximadamente 200 mil anos atrás. O último da linha dos hominídeos, é o homem moderno. Espalhou-se por todo o planeta. Produz diversas ferramentas e armas. Desenvolveu a pintura e escultura, foi o primeiro  a controlar o fogo. Desenvolveu várias formas de linguagem.

 

*FÓSSIL: restos de um ser vivo do passado que ficam preservados ou deixam uma marca na crosta terrestre.

 


PAGÚ – UMA JOVEM MULHER À FRENTE DE SEU TEMPO!

 

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher publico uma nota biográfica de Pagú.

“Pagú tem uns olhos moles

uns olhos de fazer doer.

Bate-coco quando passa.

Coração pega a bater.

 

Eh Pagú eh!

Dói por que é bom de doer (…)”

Trecho do poema “Coco de Pagu, de Raul Bopp.

 

QUEM É PAGÚ?

Patrícia Rehder Galvão, ou simplesmente Pagú, nasceu no interior de São Paulo, na cidade de São João da Boa Vista, em 9 de junho de 1910. Logo, aos seus três anos, sua família muda-se para a cidade de São Paulo, em plena expansão. A mutação da cidade reflete-se na jovem Patrícia, que torna-se uma adolescente revolucionária.

Frequentava a Escola Normal e uniformizada como normalista corria por todo o Centro Velho da capital. Para complementar o “look” de normalista uma carregada maquiagem, grandes brincos de arcola e o cigarro em público, que compunham uma jovem à frente de seu tempo, que jogava a sociedade provinciana de São Paulo.

Aos 12 anos presenciou a Semana de Arte Moderna de 1922  e aos 15 iniciou sua carreira jornalística no “Brás Jornal” com o pseudônimo Patsy.

Em 1928 Pagú entra em contato com o Movimento Antropofágico, capitaneado por Oswald de Andrade, então casado com a pintora Tarsila do Amaral. O casal apadrinha Pagú, que entra para o circuito mais radical do Movimento Modernista.

Pagú e Oswald envolvem-se em um romance secreto, esse caso extra-conjugal leva ao fim do casamento entre Oswald e Tarsila, e em 1930 Pagú casa-se com o poeta antropofágico. O novo casal não é aceito pela sociedade conservadora paulistana, mesmo os adeptos do Modernismo. No entanto, após Pagú conhecer Luís Carlos Prestes eles passam a militar no Partido Comunista Brasileiro.

Pagú insere-se intensamente na militância política, é presa em uma manifestação grevista dos estivadores em Santos e quando é solta passa a morar no Rio de Janeiro, em uma Vila Operária e a trabalhar como lanterninha em um cinema na Cinelândia.

Em 1933 Pagú lança seu primeiro romance “Parque Industrial”, um romance proletário, com edição financiada por Oswald de Andrade e assinado com o pseudônimo Maria Lobo. O romance é uma narrativa urbana, cujo o tema central é a vida das trabalhadoras das indústrias paulistanas. “Parque Industrial” insere-se nas experiências modernistas, com forte ligação com o romance antropofágico “Memórias Sentimentais de João Miramar” de Oswald de Andrade.

Ainda em 1933 Pagú parte em viagem por vários países, EUA, Japão e China, onde ela entrevista o psicanalista Freud e em 1934 ela chega a antiga União Soviética, em uma longa viagem pela Transiberiana. A temporada de Pagú em Moscou deixou profundas marcas nela. O socialismo real soviético, onde a população vivia de forma miserável enquanto a elite política do Partido Comunista Soviética vivia confortavelmente..

Após Moscou, Pagú foi a França onde envolveu-se em manifestações dos partidos de esquerda, presa é deportada para o Brasil em 1035.

Chegando à seu país logo é presa acusada de envolvimento na Intentona Comunista, foge da prisão, mas logo é presa novamente. Fica presa, então, por quase cinco anos e é solta em 1940.

A década de 40, do século passado, marca   uma Pagú que afasta-se da militância política e do Partido Comunista. Ela trabalha intensamente em inúmerosjornais e revistas como cronista e contista. Em 1945 publica seu segundo livro, “A Famosa Revista”, em parceria com seu novo companheiro conjugal Geraldo Ferraz. Nessa obra ela faz uma severa crítica ao Partido Comunista. Em 1950 ela candidata-se à Assembléia Legislativa Paulista, não é eleita, mas publica o panfleto “Verdade e Liberdade” com comentários de seu tempo na prisão, de sua viagem à Moscou, sua desilução com o Partido Comunista e o porque de sua candidatura.

Em 1952 Pagú passa a frequentar a Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD). Alinha-se ao Teatro Experimental de Vanguarda. Ao mesmo tempo contribuiu com inúmeros periódicos de Santos, e por lá participa intensamente da vida cultural em grupos de Teatro Amador.

No final da década já está muito doente, e em 1962 é operada em Paris. A operação não é bem sucedida e Pagú volta ao Brasil, onde morre em 12 de dezembro na cidade de Santos.

 

“Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um pára-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipóias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel’s check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.”

Nothing, último poema de Pagú.