Arquivo do mês: fevereiro 2012

MARQUÊS DE SAPUCAÍ.

Mais conhecido hoje por ser nome da avenida onde foi construído o sambódromo do Rio de Janeiro, o Marquês de Sapucaí, ou Cândido José de Araújo Viana foi um importante político do Império Brasileiro, influente deste o primeiro reinado, mas especialmente a partir do final do período regencial e no segundo reinado. E foi exatamente Dom Pedro II que concedeu os títulos nobiliarquícos a ele.

Nascido na, então, Província de Minas Gerais, em Congonhas do Sabará (atual Nova Lima), em 15 de setembro de 1793, partiu para Portugal, ainda Métrópole do Brasil, onde se bacharelou em Direito, na Universidade de Coimbra, no ano de 1821, às vésperas da independência do Brasil. Voltando ao Brasil atuou em alguns cargos da burocracia de estado, e no ano de 1823 assumiu uma cadeira como deputado constituinte (a Constituição de 1824 foi a primeira do Brasil). Exerceu ainda outros dois mandatos como deputado geral, o equivalente a deputado federal hoje, e em 1839 tornou-se um dos tutores de de Dom Pedro II.

A partir da ascensão de Pedro II ao trono, conquistou importantes postos na administração imperial, foi Ministro da Fazenda, da Justiça, Presidente das Províncias de Alagoas e do Maranhão, Ministro do Supremo Tribunal de Justiça. Neste período, foi eleito Senador por Minas Gerais, sendo, inclusive, entre 1851 e 1853 Presidente do Senado Imperial. Foi ainda membro do Conselho de Estado de Dom Pedro II.

Além da política, dedicou-se ao ensino e pesquisa, sendo um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entidade que também presidiu.

Morreu na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império, no ano de 1875.


QUANDO COMEÇOU A TRADICIONAL BANDA MOLE DE GUARATINGUETÁ?

Para quem é de Guaratinguetá já é hábito sábado de carnaval, marcando o início da folia momesca, o bloco mais tradicional da cidade, a Banda Mole. Alguns, talvez, até se questionem, o carnaval de Guará começou com a Banda Mole?

A resposta é não. Aliás, o aparecimento da Banda Mole tem a ver com o regramento das festas carnavalescas impostas em nossa cidade na década de 1970.

Foi neste ano, que o poder municipal decidiu migrar os festejos de Momo, da praça Conselheiro Rodrigues Alves para a Avenida Presidente Vargas. Nesta época, a maioria das escolas de samba da cidade já existiam e essa transferência serviria para atender as necessidades dos desfiles competitivos.

Esta nova realidade, apesar de agradar a muitos, causou incômodo em alguns foliões que desejavam manter o ritmo e o local tradicional do carnaval de Guaratinguetá. Foi, então,que no domingo de carnaval, do ano de 1975, em uma conversa no Clube Literário, quatro amigos decidiram criar um bloco de rua, que desfilasse pelo centro da cidade, e que todos pudessem participar da folia. O objetivo do Carlucho, Carlinhos Letrão, James Gomes e Tonico Bartelega era reavivar os antigos carnavais. Foi aí que surgiu a Banda Mole, bloco carnavalesco de embalo, que permitia a livre participação dos foliões.

O primeiro desfile da Banda Mole foi no sábado de carnaval do ano de 1976, mas antes foi preciso resolver um problema. O itinerário decidido para o bloco passava de frente para a Matriz de Santo Antônio (atual Catedral de Santo Antonio), bem no horário da missa, foi aí que os quatro amigos reuniram-se de  novo para conversar com o Monsenhor Bindão, pároco da época, e combinaram que só começariam a folia quando as portas da Igreja se fechassem. O Monsenhor Bindão comprometia-se a cerrar as portas assim que a missa terminasse, para não atrasar o “esqunta” da Banda Mole. Essa boa relação do bloco com os párocos permaceu até que o percurso da Banda Mole teve de ser alterado, porém a mudança não foi ocasionada por nenhum pároco intransigente, mas sim pelo remodelamento da Praça Conselheiro Rodrigues Alves no ano de 2003, que inviabilzou que o caminhão de som do bloco passasse pela área. A partir deste ano, a Banda Mole passou a concentrar-se não mais em frente ao prédio do Clube Literário Centro (hoje Casas Bahia), mas sim do outro lado praça.

Resta ainda, duas questões: a primeira, por que Banda Mole? A idéia dos pioneiros do bloco era marcar a subversão da ordem que o Carnaval de Guaratinguetá estava sendo submetido, com regras, local para desfile, competição, a idéia original teria sido nomear o bloco de Bunda Mole, mas talvez esse nome pudesse ofender alguns foliões, aí a transmutaação para Banda Mole, é essa subversão da ordem que levou a tradicional fantasia dos homens que brincam o carnaval no bloco, as roupas femininas. A segunda questão fica do por que usar paródias? Esse costume não remete aos primeiros desfiles da Banda Mole, mas sim ao ano de 1987, quando um secretário do governo municipal decidiu que deveria impôr regras a Banda Mole. Os participantes do bloco não só nem deram bola para tal situação, como surgiu uma marchinha em paródia, brincando com a tentativa deste burocrata em regrar a Banda Mole.


90 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO.

Nesta semana que passou a tão falada Semana de Arte Moderna de São Paulo completou noventa anos.  Realizada no Teatro Municipal de São Paulo, suas exposições e recitais são consideradas o marco inicial do Modernismo brasileiro. Ícones da primeira geração modernista brasileira participaram da Semana, como Mário de Andrade, Anita Malfati, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Oswald de Andrade, Brecheret, Di Cavalcanti, Vila Lobos entre outros.

O Homem Amarelo, obra de Anita Malfati

Constata-se que anos antes, por volta de 1912, Oswald de Andrade já divulgava as ideias modernistas em jornais e revistas brasileiras e, em 1917 Anita Malfati, que voltava de uma temporada de estudos artísticos na Europa e dos EUA, realizou uma exposição de quadros que chocou a sociedade paulistana da época, sendo alvo de ataques dos críticos de arte do período, em especial de Monteiro Lobato, crítico do jornal O Estado de SP, principal publicação de então.

Os anos que se seguiram até 1922, serviu para o grupo modernista ganhar adeptos, conquistar apoio entre os membros da oligarquia cafeeira paulista que atuava como mecenas das artes. A elite econômica paulista usava o patrocínio aos artistas de vanguarda para acentuar um suposto grau de elitismo cultural.

Em fevereiro de 1922 o grupo modernista paulista consegue articular-se e realiza a Semana de Arte Moderna de SP, porém, ao contrário do que podemos pensar hoje, 90 anos depois, a classe artística vanguardista não tinha um modelo pronto para apresentar ao Brasil. Isso fica claro em uma fala do próprio Oswald de Andrade, “Não sabemos o que queremos. Mas sabemos o que não queremos.” O grande mérito da Semana foi rejeitar a forma anterior de arte, centrada em um academicismo estético, muito bem representado pela poesia parnasiana, que tinha por objetivo a exaltação da beleza, mesmo que isso provocasse uma arte sem conteúdo ideológico.

Participantes da Semana de Arte Moderna de São Paulo nas escadarias do Teatro Municipal

A Semana de Arte Moderna de SP rompe com esse academicismo, apresentando um esboço do que seria a arte moderna brasileira, e por este motivo, apesar de celebrada por alguns presentes ela é contestada por grande parte da sociedade paulista. Ainda na década de 1920, a Arte Moderna brasileira toma forma e conquista a sociedade paulista e brasileira.

Os anos 1920 foram um período de transformações no Brasil, em especial em São Paulo. O café, principal produto da pauta de exportações brasileiras desde a segunda metade do século XIX, tornou São Paulo no estado mais rico da nação, e alçou sua capital a condição de maior centro urbano-industrial brasileiro. Também na política, o início dos anos 1920 trouxeram a Reação Republicana, movimento encabeçado por Nilo Peçanha, que desafiou a Política do Café-com-Leite, que ditava os rumos da política brasileira, no revezamento de paulistas e mineiros na Presidência da República. Peçanha, concorreu e perdeu ao pleito nacional para o mineiro Arthur Bernardes. Apesar da derrota, alguns historiadores enxergam ali o germe do Partido Democrático, que em São Paulo seria fundado anos mais tarde em 1926. Ainda em 1922, como consequência da eleição de Bernardes à Presidência, ocorreu a Revolta dos 18 do Forte, na praia de Copacabana, quando os militares de baixa patente ali aquartelados rebelaram-se contra o governo central, contestando as oligarquias. Essa revolta deu origem ao movimento tenentista, um dos pilares da Revolução de 30 que encerrou a República Velha. Ainda em 1922 foi fundado no Brasil o Partido Comunista de inspiração marxista. A Semana de Arte Moderna de São Paulo insere-se neste contexto.


REVOLUÇÃO CUBANA.

A Revolução Cubana de 1959 foi a responsável por derrubar um regime ditatorial liderado pelo General Fulgêncio Batista, apoiado pelo Governo dos EUA. O Governo Batista favorecia claramente os interesses norte-americanos em Cuba em detrimento dos cubanos, que viviam em situação bastante precária. As desigualdades sociais eram claras, uma pequena elite cubana, que controlava a política beneficiava-se com a política pró EUA, enquanto a maior parte das pessoas tinham dificuldades para sobreviver. A economia cubana era bastante deficiente sendo o país, desde sua independência, em 1898, considerado o “quintal norte-americano” A ingerência dos EUA sobre a política cubana era tamanha, que anos depois da independência, em 1901, quando promulgada a primeira constituição cubana, após sucessivas intervenções militares dos EUA sobre o território de Cuba, estabeleceu o direito de os EUA intervirem nas decisões políticas do país, em documento conhecido como Emenda Platt. Cuba, por estar muito próxima dos EUA, no Mar do Caribe, era muito freqüentada pelos norte-americanos, que veraneavam nos hotéis, boates e prostíbulos da capital Havana.

Devido a essa situação, um, então jovem, bacharel em Direito, filho de uma família de classe média cubana, indignou-se e passou a contestar o status quo político cubano pró-norteamericano. A partir de 1956, reunindo cerca de oitenta homens, Fidel Castro iniciou um movimento revolucionário de guerrilha, com ações armadas em várias cidades. O principal foco revolucionário estabeleceu na região de Sierra Maestra, área montanhosa, de floresta, onde os guerrilheiros tinham facilidade para se esconderem. Ao mesmo tempo, a população cubana, insatisfeita com a situação de penúria e descontente com o governo de Fulgêncio Batista passou a apoiar a guerrilha de Fidel Castro.

Além de Fidel, outro importante líder da Revolução Cubana foi o argentino Che Guevara, que após uma longa viagem pela América do Sul, em que passou por diversos países andinos, assumiu para si o compromisso de lutar contra a injustiça social provocada pelo Imperialismo em toda a América Latina. Che conheceu Fidel Castro e parte dos revolucionários cubanos no México, quando do exílio do grupo de Castro naquele país.

Após três anos de luta, os revolucionários cubanos conseguiram avançar sobre a capital Havana e destituíram o Governo de Fulgêncio Batista, obrigando o antigo ditador a se refugiar no exterior, em 1 de janeiro de 1959 Fidel Castro e seus companheiros conquistaram o poder, instituindo um novo regime político e um sistema em prol dos interesses cubanos.