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A REVOLUÇÃO SOCIALISTA RUSSA E A FORMAÇÃO DA UNIÃO SOVIÉTICA.

A Revolução Russa de 1917 marcou a história do século XX. É o marco inicial do socialismo real, e a única experiência concreta de uma sociedade alternativa ao capitalismo ocidental.

Até 1917 a Rússia vivia sob uma autocracia denominada Czarismo, um sistema político próximo do Absolutismo Monárquico, e uma economia com base feudal. O Império Russo era um gigante em termos territoriais, com extensão do Mar Báltico até o Oceano Pacífico, com mais de 80% de sua população vivendo no campo, em situação de pobreza extrema. Na transição do século XIX para o século XX a Rússia recebeu grandes investimentos onde se iniciou a industrialização do país, em especial nas grandes cidades. Esse processo levou a formação de uma classe operária subjugada às severas condições de trabalho, com extenuantes jornadas de trabalho em um país sem uma legislação de proteção ao trabalhador.

Apesar da predominância camponesa da sociedade russa foi o operariado das grandes cidades que iniciou a contestação ao regime Czarista, servindo como uma vanguarda política. No início do século XX havia se formado na Rússia o Partido Operário Social Democrata Russo, que foi o responsável pela base ideológica da Revolução Russa de 1917. O POSDR reunia diversos grupos políticos, que tinham em comum a luta contra o Czarismo. As divergências internas do POSDR refletiram, também, nas fases da Revolução Russa de 1917.

O contexto internacional também favoreceu a Revolução Socialista na Rússia. Em 1914 a Europa mergulhou no primeiro conflito mundial, em decorrência das disputas imperialistas. A Rússia alinhou-se a ingleses e franceses, que combatiam alemães e austríacos. O Exército Imperial Russo era formado por camponeses, despreparados e mal equipado para a guerra, o que elevou sobremaneira o número de mortos russos. Além disso, ao deslocar o eixo de sua economia para a guerra, o Czarismo desguarneceu o abastecimento interno, provocando uma grave crise econômica. Essa conjuntura prejudicou demais a imagem do Czarismo na Rússia, jogando no colo do POSDR a população camponesa russa, que passou a apoiar os movimentos políticos da vanguarda operária.

Em fevereiro de 1917, com apoio da maioria da população, os mencheviques, tendência interna ao POSDR, de caráter liberal-burguês, depuseram o Czar Nicolau II, pondo fim à autocracia russa. Os mencheviques defendiam uma Revolução Socialista por etapas, com base na análise marxista do materialismo histórico, que defendia que a sociedade humana atingir o Socialismo ela deveria passar por uma Revolução Burguesa. Neste sentido, os mencheviques iniciaram as transformações defendidas pelo POSDR, mas não a intensificaram, mantendo a grande maioria da população na pobreza, e pior, sem retirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial.

Imagem de Lênin.

Essa situação causou grande insatisfação popular. E os bolcheviques, outra tendência interna ao POSDR, que pleiteava uma imediata Revolução Socialista, liderada pela vanguarda operária, souberam capitalizar o apoio popular para suas idéias. Desta forma, organizados a partir dos sovietes, comitês de trabalhadores de fábricas, bairros e cidades, além dos regimentos militares, os bolcheviques iniciaram um processo de radicalização da Revolução Russa, conhecido como Revolução de Outubro ou Bolchevique, onde substituiu o governo provisório menchevique, estatizaram a economia (propriedades agrárias, fábricas, bancos) e retiraram a Rússia da Primeira Guerra.

 O Governo Socialista da Rússia sofreu grande oposição externa inicialmente, pois os países liberais da Europa temiam que a Revolução Socialista se difundisse pelo continente. Porém, a primeira tarefa do socialismo russo era reorganizar a economia de seu país. Para tanto, Lênin lançou a NEP – Nova Política Econômica – onde liberava a iniciativa privada atuar em alguns setores da economia, resguardando o monopólio do Estado em setores fundamentais como transporte, comunicações e financeiro. Deste modo, a economia russa reergueu-se, e o socialismo consolidou-se.

Trotsky e Stálin

Em 1924 foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que reunia além da Rússia, antigos territórios do Império Czarista Russo. Forma-se uma grande potência mundial, com autonomia em matérias-primas como fontes de energia, ferro e alimentos. Com a morte de Lênin, o poder na União Soviética passou a ser disputado entre Trotsky, líder revolucionário, com origem no soviete de Petrogrado, que havia liderado o Exército Vermelho; e Stálin, de origem georgiana, que também participou da Revolução Russa desde seus antecedentes. Trotsky e Stálin divergiam, em especial, na internacionalização ou não do Socialismo. Trotsky era defensor contumaz do processo de levada do socialismo para os outros países, já Stálin defendia que era necessário consolidar o Socialismo na União Soviética, fortalecer a economia e as forças armadas, para então iniciar o processo de internacionalização do Socialismo. O Partido Comunista Russo aderiu majoritariamente às idéias de Stálin, elegendo-o seu novo Secretário Geral e chefe político da União Soviética.

A Revolução Russa e a fundação da União Soviética inspiraram movimentos socialistas por todo o mundo, seja na formação de partidos socialistas e comunistas, seja em revoltas. Pode ser considerado um dos eventos históricos mais significativos do século XX, pois pautou toda a história planetária de 1917 até o fim da União Soviética em 1991.


O QUE PENSO SOBRE A REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932.

Apesar de paulista, não tenho um sentimento ufanista em relação à Revolução Constitucionalista de 1932. Para a historiografia oficial paulista, este evento teve motivação nobre, uma luta legalista, pela implantação de uma constituinte, já que desde a Revolução de 30 o país vivia sob um regime provisório, que havia suspendido a Constituição de 1889. No entanto, eu penso que esta suposta motivação é apenas uma justificativa ideológica e que este movimento dos paulistas teve outras finalidades.

No meu entendimento, a Revolução Constitucionalista de 1932 teve como pano de fundo a disputa pelo poder federal, já que a oligárquica cafeeira paulista dominou a política federal por toda a Primeira República. Com a Revolução de 30 os paulistas foram alijados do governo federal, que foi assumido por Getúlio Vargas, membro da oligarquia agrária gaúcha, periférica, até então, na política nacional.

Como o Governo de Vargas não convocava a constituinte, a oligarquia cafeeira paulista iniciou uma campanha pela Constitucionalização do país, com o intuito de derrubar o Presidente provisório e reassumir o controle do Estado Brasileiro. Com grande adesão dos paulistas, no interior e na capital, os paulistas passaram a pressionar o Governo Federal. Em 23 de maio de 1932, a cidade de São Paulo assistiu uma grande manifestação contra o Governo de Vargas. Neste evento que foi duramente reprimido pelo governo federal quatro estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco foram mortos, dando origem ao MMDC (sigla com as iniciais dos quatro estudantes – Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo). Esse fato gerou grande repercussão entre os paulistas, e em 9 de Julho do mesmo ano iniciou-se o conflito armado.

O Governo Federal reagiu a partir dos Estados vizinhos a São Paulo, que contava com a adesão, principalmente do Estado de Minas Gerais, o que não aconteceu, ficando isolado e enfraquecido. Em apenas três meses os paulistas foram derrotados e a Revolução Constitucionalista chegou ao fim. Parte da historiografia, talvez ironicamente, considera o movimento vitorioso, já que o Governo Vargas convoca a Constituinte em seguida, no entanto, o real objetivo da oligarquia cafeeira paulista não foi alcançado, já que Vargas fortaleceu-se no governo central, permanecendo no cargo até 1945.


O ESTOPIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.

No dia 28 de junho de 1914 o “barril de pólvora” em que se tinha transformado a Europa das grandes potências imperialistas explodia. A intricada rede de acordos e alianças entre países transformou um conflito regional dos Bálcãs em uma guerra européia e mundial.

Em visita a cidade de Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, foram assassinados em um atentado promovido pelo nacionalista sérvio Gavrilov Princip. Os nacionalistas sérvios refutavam a influência austríaca sobre os Bálcãs e apoiados pela Rússia promoviam um pan-eslavismo.

A morte do herdeiro do trono austro-húngaro levou a uma declaração de guerra por parte da Áustria-Húngria em relação à Sérvia. O que levou a Europa à guerra foi a Política de Alianças, que envolvia as principais nações imperialistas. Em pouco tempo, toda a Europa estava mergulhada na primeira guerra do Breve Século XX.


REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS – 1894/1930.

Este período também é conhecido como República do Café com Leite, pela sucessão de presidentes ligados as oligarquias paulista (café) e mineira (leite).

 

CAMPO X CIDADE

O Brasil do fim do século XIX e início do século XX tinha uma economia e uma população predominantemente rural. O café era o principal produto da pauta de exportações brasileira do período. A porção majoritária da população vivia no campo, como trabalhadores rurais, em sua maioria pobres e analfabetos, carentes inclusive da assistência do próprio Estado.

Já as cidades, em especial o Rio de Janeiro, capital administrativa, política e cultural do Brasil naquele período, sofriam forte influência da Europa. Os hábitos e o vestuário das elites era uma cópia dos europeus. Surgiam parques e grandes avenidas e a maior parte da população urbana, mais pobre, era empurrada para as periferias ou morros, dando origem as favelas, em um processo de marginalização social.

 

POLÍTICA

  • POLÍTICA DOS GOVERNADORES: era o mecanismo usado pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais para manterem-se  no poder central. Esse mecanismo consistia na concessão de privilégios às elites dos outros Estados, de menor expressão na política nacional. Em troca desses privilégios as elites estaduais apoiavam os candidatos de paulistas e mineiros à Presidênciada República. O principal privilégio concedido as elites estaduais era a homologação das eleições, que era feita pela Comissão de Verificação de Poderes, controlada pela Presidência da República, que deveria homologar o resultado de todas as eleições no Brasil. Sendo assim, a Comissão de Verificaçãosó homologava a eleição dos candidatos ligados as elites estaduais que apoiavam o Presidente da República e as oligarquias paulista e mineira.
  • CORONELISMO: eram chamados de “Coronel” os líderes políticos regionais, normalmente grandes proprietários de terra. Esses líderes locais garantiam a manutenção das oligarquias no poder. Esses “Coronéis” formavam grandes “currais eleitorais” pos mantinham em suas regiões um grande número de pessoas dependentes de seus favores. Além disso, esses “Coronéis” mantinham sob seu controle vastos contingentes de trabalhadores, que eram obrigados à seguir seus empregadores. Em caso contrário sofriam perseguições, agressões e o risco de ficarem sem trabalho, era o “voto de cabresto.”

ECONOMIA

  • AGRICULTURA: a política econômica dos governos desse período privilegiou a agricultura de exportação. O café era o principal produto brasileiro de exportação e o estado de São Paulo o maior produtor. No entanto, durante o início do século XX a economia cafeeira no Brasil passava por uma crise de superprodução, o que provocava queda no preço do café. Para diminuir as perdas dos cafeicultores foi assinado o Convênio de Taubaté, onde o Estado Brasileiro comprometia-se a comprar toda a produção de café por preços interessantes para os cafeicultores. Para tanto, foi necessário que o governo brasileiro contraísse emprestímos em bancos internacionais, aumentando a dívida externa da nação. Outros produtos tiveram participação na economia brasileira: o cacau, no sul da Bahia; a cana-de-açúcar e; a borracha, que entre os anos de 1905 e 1913 impulsionou a economia e a ocupação da região amazônica, sendo o Brasil, nestes anos, o principal fornecedor de latex para a indústria automobilística.

    "O Café", quadro de Candido Portinari.

  • INDÚSTRIA: durante todo o período, a indústria esteve relegada a segundo plano, estando os governos mais interessados em proteger os negócios dos produtos rurais. Porém, algumas cidades brasileiras já apresentavam um incipiente desenvolvimento industrial, em especial São Paulo e Rio de Janeiro. Os recursos necessários ao processo de industrialização provinham da atividade cafeeira, dos imigrantes e do capital financeiro internacional. A produção de bens de consumo era predominante, com destaque para a indústria têxtil, de alimentos e de sapatos. Porém, com a Primeira Guerra Mundial houve a necessidade de se substituir os produtos importados, provocando a diversificação da produção industrial brasileira.

GOVERNO FLORIANO PEIXOTO – 1891/1894.

Floriano Peixoto assumiu à Presidência da República após a renúncia de Deodoro da Fonseca.

O Governo do Marechal Floriano foi escorado em uma aliança entre o Presidente da República e o Congresso, dominado pelos cafeicultores paulistas, defensores do federalismo.

O Governo Floriano foi fundamental para a consolidação do regime republicano e abriu caminho para os cafeicultores assumirem o controle do Estado Brasileiro ao combater e reprimir revoltas que ameaçavam a República, como a Revolução Federalista e a Revolta da Armada.

REVOLUÇÃO FEDERALISTA.

No final do século XIX o Rio Grande do Sul enfrentava uma disputa política entre dois grupos, o Partido Republicano, positivista e representado pelas novas elites gaúchas, ligadas às cidades e; o Partido Federalista, com origem na oligarquia agrária gaúcha, os estancieiros pecuaristas.

Com a Proclamação da República Júlio de Castilhos foi indicado para a Presidência do Estado (Governador). Castilhos era líder do Partido Republicano e sua indicação levou a uma revolta liderada pelos Federalistas, antigos parceiros do Império, que se estendeu até os Estados de Santa Catarina e Paraná.

A repressão à revolta foi violenta, e Júlio de Castilho, aliado do Presidente da República, foi confirmado como Presidente do Estado.

 

REVOLTA DA ARMADA.

Foi um movimento deflagrado por setores da Marinha Brasileira em 1893.

A Revolta da Armada estava intrinsecamente relacionada a composição de forças nas regiões brasileiras. As oligarquias alijadas do poder nos Estados voltaram-se contra o Presidente com a justificativa da não convocação de eleições por Floriano, que deveria ter o feito no prazo máximo de dois à contar da renúncia de Deodoro em novembro de 1891.

Os revoltosos ganharam o apoio de monarquistas ligados à Marinha. No entanto, o Presidente contava com o apoio dos cafeicultores paulistas e do Congresso e reprimiu a Revolta, firmando sua imagem como defensor da República.

 


PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA – GRUPOS SOCIAIS PROTAGONISTAS.

Dois grupos sociais agiram de forma significativa para a Proclamação da República no Brasil:

  • Cafeicultores Paulistas: antes aliados da Monarquia, os cafeicultores paulistas, membros da oligarquia agrária econômicamente dominante no Brasil, tornaram-se opositores do Império, pois enxergavam na mudança de regime político uma oportunidade de assumir o controle direto do Estado brasileiro. A Abolição da Escravidão contribuiu e serviu de motivo para o rompimento entre cafeicultores e a Monarquia
  • Exército: Durante o Império o Exército ocupou uma posição marginal na política nacional. Além disso, a remuneração dos militares, a disciplina da coorporação e a lentidão nas promoções incomodavam os militares. Após a Guerra do Paraguai, o Exército brasileiro saiu fortalecido, e muitos oficiais passaram a reivi ndicar maior espaço para a participação política. Esse desejo levou a uma série de conflitos entre o Exército e a Monarquia, e os militares encontraramna mudança de regime político uma possibilidade de assumir um novo papel na cena política nacional.

DEODORO DA FONSECA

Deodoro da Fonseca tornou-se um herói nacional carismático durante a Guerra do Paraguai, militar de origem alagoana, era ligado ao Imperador e a Monarquia. No entanto, foi envolvido em um enredo que o transformou no líder da Proclamação da República, em 1889. Nesse perído já idoso, foi o chefe do governo provisório e escolhido o primeiro presidente do Brasil. No entanto, não terminou seu mandato, onde o país enfrentou grave crise econômica e sua imagem foi corroída pela oposição política.

Segue vídeo com a biografia deste importante personagem da História do Brasil.