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REVOLTA DA VACINA – VÍDEO INTERESSANTE


O GOLPE DE ESTADO DE 1º DE ABRIL DE 1964 NO BRASIL.

Nos últimos dias notícias nas TVs, rádios, jornais, revistas e na Web, deram conta da tentativa do Clube Militar do Rio de Janeiro em promover uma comemoração pela data que marca o Golpe de Estado dado por eles no sistema democrático brasileiro em 1º de abril de 1964. Parece mentira, mas o Clube Militar e setores conservadores da sociedade brasileira teimam em denominar esse Golpe de Estado em Revolução, que teria garantido o estado de direito no Brasil, que estaria supostamente ameaçado pelo Comunismo. É preciso lembrar que o mundo, na segunda metade do século XX vivia sob o estigma da Guerra Fria, onde as ideologias capitalista e comunista serviam de justificativa para a disputa imperialista de EUA e União Soviética, e as elites brasileiras, que controlavam o poder em nosso país desde a Proclamação da República, sob influência política norte-americana deste a Doutrina Monroe, onde os EUA forçavam a adesão das nações da América Latina a aderirem a ideologia política-cultural e aos interesses econômicos norte-americanos, defendiam veementemente a manutenção desta ordem, supostamente ameaçada pelo Governo João Goulart, denunciado pela mídia brasileira como de inclinação comunista-soviética.

Jango, como era conhecido o presidente João Goulart, nada tinha de comunista, muito menos de soviético. A sua origem remete às oligarquias agrárias brasileira, era um representante dos caudilhos populistas do cone sul da América Latina, um estancieiro gaúcho e um dos herdeiros políticos de Getúlio Vargas e de seu trabalhismo. Jango foi eleito vice-presidente do Brasil, no ano de 1960, quando Jânio Quadros foi eleito para a Presidência. O mandato de Quadros foi tão relâmpago como sua ascensão política, e durou apenas oito meses, em uma renúncia ainda obscura em agosto de 1961. Neste momento, Jango encontrava-se em viagem oficial à China, e o Congresso Nacional, dominado pelas elites regionais brasileiras, defensoras dos interesses do capital norte-americano no Brasil, iniciou um processo de esvaziamento das funções da Presidência da República, transferindo para o Congresso Nacional os poderes do executivo federal, instalando um Parlamentarismo no Brasil, que vigorou entre os anos de 1961 e 1962, quando um Plebiscito restaurou o Presidencialismo em nosso país.

Presidente João Goulart, o Jango.

Entre os anos de 1963 e 1964 Jango assumiu efetivamente a Presidência da República, com todas as suas funções, enfrentando uma grave crise econômica, propôs as Reformas de Base, que entre outras ações propunha a Reforma Agrária, o controle das remessas de capital para o estrangeiro e a nacionalização de empresas de setores considerados estratégicos. As Reformas de Base foram defendidas pelo Presidente Jango em comício no dia 13 de março, na Estação Central do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Em 19 de março veio a reação das elites conservadores brasileiras, que convocou a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, na cidade de São Paulo, apoiada pela mídia brasileira e pela Igreja Católica. A “Marcha”, que reuniu cerca de 500 mil pessoas nas ruas de São Paulo, foi o termômetro de que o Governo Jango não tinha apoio suficiente da opinião pública e da população para suportar um golpe de estado, que seria levado ao cabo pelo alto generalato brasileiro, com suporte da CIA (Serviço Secreto dos EUA) e com a conivência da elite econômica brasileira, da mídia nacional e de setores conservadores da sociedade brasileira na madrugada de 1º de abril.

Para escapar da pecha de ter sido imposto aos brasileiros no dia da mentira, a historiografia do regime autoritário militar brasileiro antecipou o início do golpe de estado para o dia 31 de março.


90 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO.

Nesta semana que passou a tão falada Semana de Arte Moderna de São Paulo completou noventa anos.  Realizada no Teatro Municipal de São Paulo, suas exposições e recitais são consideradas o marco inicial do Modernismo brasileiro. Ícones da primeira geração modernista brasileira participaram da Semana, como Mário de Andrade, Anita Malfati, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Oswald de Andrade, Brecheret, Di Cavalcanti, Vila Lobos entre outros.

O Homem Amarelo, obra de Anita Malfati

Constata-se que anos antes, por volta de 1912, Oswald de Andrade já divulgava as ideias modernistas em jornais e revistas brasileiras e, em 1917 Anita Malfati, que voltava de uma temporada de estudos artísticos na Europa e dos EUA, realizou uma exposição de quadros que chocou a sociedade paulistana da época, sendo alvo de ataques dos críticos de arte do período, em especial de Monteiro Lobato, crítico do jornal O Estado de SP, principal publicação de então.

Os anos que se seguiram até 1922, serviu para o grupo modernista ganhar adeptos, conquistar apoio entre os membros da oligarquia cafeeira paulista que atuava como mecenas das artes. A elite econômica paulista usava o patrocínio aos artistas de vanguarda para acentuar um suposto grau de elitismo cultural.

Em fevereiro de 1922 o grupo modernista paulista consegue articular-se e realiza a Semana de Arte Moderna de SP, porém, ao contrário do que podemos pensar hoje, 90 anos depois, a classe artística vanguardista não tinha um modelo pronto para apresentar ao Brasil. Isso fica claro em uma fala do próprio Oswald de Andrade, “Não sabemos o que queremos. Mas sabemos o que não queremos.” O grande mérito da Semana foi rejeitar a forma anterior de arte, centrada em um academicismo estético, muito bem representado pela poesia parnasiana, que tinha por objetivo a exaltação da beleza, mesmo que isso provocasse uma arte sem conteúdo ideológico.

Participantes da Semana de Arte Moderna de São Paulo nas escadarias do Teatro Municipal

A Semana de Arte Moderna de SP rompe com esse academicismo, apresentando um esboço do que seria a arte moderna brasileira, e por este motivo, apesar de celebrada por alguns presentes ela é contestada por grande parte da sociedade paulista. Ainda na década de 1920, a Arte Moderna brasileira toma forma e conquista a sociedade paulista e brasileira.

Os anos 1920 foram um período de transformações no Brasil, em especial em São Paulo. O café, principal produto da pauta de exportações brasileiras desde a segunda metade do século XIX, tornou São Paulo no estado mais rico da nação, e alçou sua capital a condição de maior centro urbano-industrial brasileiro. Também na política, o início dos anos 1920 trouxeram a Reação Republicana, movimento encabeçado por Nilo Peçanha, que desafiou a Política do Café-com-Leite, que ditava os rumos da política brasileira, no revezamento de paulistas e mineiros na Presidência da República. Peçanha, concorreu e perdeu ao pleito nacional para o mineiro Arthur Bernardes. Apesar da derrota, alguns historiadores enxergam ali o germe do Partido Democrático, que em São Paulo seria fundado anos mais tarde em 1926. Ainda em 1922, como consequência da eleição de Bernardes à Presidência, ocorreu a Revolta dos 18 do Forte, na praia de Copacabana, quando os militares de baixa patente ali aquartelados rebelaram-se contra o governo central, contestando as oligarquias. Essa revolta deu origem ao movimento tenentista, um dos pilares da Revolução de 30 que encerrou a República Velha. Ainda em 1922 foi fundado no Brasil o Partido Comunista de inspiração marxista. A Semana de Arte Moderna de São Paulo insere-se neste contexto.


O QUE PENSO SOBRE A REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932.

Apesar de paulista, não tenho um sentimento ufanista em relação à Revolução Constitucionalista de 1932. Para a historiografia oficial paulista, este evento teve motivação nobre, uma luta legalista, pela implantação de uma constituinte, já que desde a Revolução de 30 o país vivia sob um regime provisório, que havia suspendido a Constituição de 1889. No entanto, eu penso que esta suposta motivação é apenas uma justificativa ideológica e que este movimento dos paulistas teve outras finalidades.

No meu entendimento, a Revolução Constitucionalista de 1932 teve como pano de fundo a disputa pelo poder federal, já que a oligárquica cafeeira paulista dominou a política federal por toda a Primeira República. Com a Revolução de 30 os paulistas foram alijados do governo federal, que foi assumido por Getúlio Vargas, membro da oligarquia agrária gaúcha, periférica, até então, na política nacional.

Como o Governo de Vargas não convocava a constituinte, a oligarquia cafeeira paulista iniciou uma campanha pela Constitucionalização do país, com o intuito de derrubar o Presidente provisório e reassumir o controle do Estado Brasileiro. Com grande adesão dos paulistas, no interior e na capital, os paulistas passaram a pressionar o Governo Federal. Em 23 de maio de 1932, a cidade de São Paulo assistiu uma grande manifestação contra o Governo de Vargas. Neste evento que foi duramente reprimido pelo governo federal quatro estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco foram mortos, dando origem ao MMDC (sigla com as iniciais dos quatro estudantes – Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo). Esse fato gerou grande repercussão entre os paulistas, e em 9 de Julho do mesmo ano iniciou-se o conflito armado.

O Governo Federal reagiu a partir dos Estados vizinhos a São Paulo, que contava com a adesão, principalmente do Estado de Minas Gerais, o que não aconteceu, ficando isolado e enfraquecido. Em apenas três meses os paulistas foram derrotados e a Revolução Constitucionalista chegou ao fim. Parte da historiografia, talvez ironicamente, considera o movimento vitorioso, já que o Governo Vargas convoca a Constituinte em seguida, no entanto, o real objetivo da oligarquia cafeeira paulista não foi alcançado, já que Vargas fortaleceu-se no governo central, permanecendo no cargo até 1945.


O FORA COLLOR E O TÚNEL DO TEMPO DO SENADO FEDERAL.

Os Caras Pintadas

Nesta semana a reabertura do Túnel do Tempo do Senado Federal trouxe para as manchetes um evento importante da história política brasileira, o Impeachment do Presidente Fernando Collor. Isso porque, o reformado Túnel do Tempo não apresentava mais o painel relativo a esse evento. O Túnel do Tempo é um corredor, onde estão vários painéis com os fatos mais importantes da historia política do Brasil em que o Senado, ou algum Senador, teve participação.

Eleito em 1989, na primeira eleição direta para Presidente da República depois da Ditadura Militar (1964-85), Collor iniciou um governo com a promessa de “caçar os marajás” e conter a inflação. Não foi bem sucedido em nenhum dos casos, e seu governo logo se tornou alvo de investigação por suspeitas de corrupção. Em abril de 1992 os escândalos tornaram-se insustentáveis, pois o irmão do Presidente, Pedro Collor revelou a existência do “esquema PC”, onde o ex-tesoureiro de campanha de Collor, PC Farias, era acusado de ser o responsável por irregularidades financeiras além de tráfico de influência.

As manifestações públicas de amplos setores da sociedade, como o “Movimento dos Caras Pintadas”, liderado pela UNE (União Nacional dos Estudantes), onde os jovens manifestaram-se por todo o Brasil pelo afastamento definitivo do Presidente com os rostos pintados com as cores da bandeira nacional,  obrigaram o Congresso a abrir processo de Impeachment e em outubro de 1992, Collor foi afastado temporariamente da Presidência. Antes do fim do processo de Impeachment, em 29 de dezembro de 1992, Collor renunciou ao cargo de Presidente da República, porém teve seus direitos políticos casados por oito anos. Assumiu no seu lugar para concluir o mandato presidencial o vice-presidente Itamar Franco. Hoje

Collor é Senador da República eleito pelo seu estado natal, Alagoas, desde o ano de 2007.

Dois dias depois de reaberto o Túnel do Tempo do Senado Federal sem o painel do Impeachment de Collor, o Presidente da casa, Senador José Sarney, soltou nota dizendo que o painel retirado será recolocado para exibição pública.


30 ANOS DO ATENTADO TERRORISTA DO RIOCENTRO.

Em 30 de abril de 1981 foi organizada no Palco do RioCentro uma série de shows populares para homenagear o Dia do Trabalho. Vários artistas revezavam-se no palco, até que por volta das 23 horas uma explosão no estacionamento mudou o foco de atenção do público.

Vivíamos, no Brasil, o fim da Ditadura Militar imposta desde 1964. Passávamos pelo processo de abertura política, no entanto, a direita radical ligada a setores conservadores da sociedade e a alas das forças armadas contrários ao fim do regime ditatorial promovia inúmeros pequenos atentados, e o ataque do RioCentro seria o ápice deste movimento, que praticado pela direita conservadora, procurava incriminar os setores progressistas da sociedade e inibir o Governo Figueiredo de avançar na abertura e impedir a transferência do poder para um civil.

A imperícia de um sargento e um capitão do exército colocou tudo a perder para os radicais conservadores, pois devido à manipulação equivocada dos explosivos, foi no estacionamento, e não no interior do centro de convenções que a bomba foi detonada, matando o sargento e ferindo o capitão.

Por mais que o Governo Militar tentasse disfarçar os reais autores do atentado, ficou evidente o envolvimento das forças armadas no evento, e o tiro virou contra a culatra, que ao invés de inibir a abertura política, deu capilaridade ao movimento pelo fim dos governos militares. O Inquérito policial da época isentou os militares de culpa, sumiu com provas do acontecimento, para tentar encobrir às causas. Anos mais tarde, um novo inquérito, agora militar, culpou os dois militares envolvidos no atentado, porém não sofreram penas, pois foram enquadrados na Lei de Anistia, de 1978.


REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS – 1894/1930.

Este período também é conhecido como República do Café com Leite, pela sucessão de presidentes ligados as oligarquias paulista (café) e mineira (leite).

 

CAMPO X CIDADE

O Brasil do fim do século XIX e início do século XX tinha uma economia e uma população predominantemente rural. O café era o principal produto da pauta de exportações brasileira do período. A porção majoritária da população vivia no campo, como trabalhadores rurais, em sua maioria pobres e analfabetos, carentes inclusive da assistência do próprio Estado.

Já as cidades, em especial o Rio de Janeiro, capital administrativa, política e cultural do Brasil naquele período, sofriam forte influência da Europa. Os hábitos e o vestuário das elites era uma cópia dos europeus. Surgiam parques e grandes avenidas e a maior parte da população urbana, mais pobre, era empurrada para as periferias ou morros, dando origem as favelas, em um processo de marginalização social.

 

POLÍTICA

  • POLÍTICA DOS GOVERNADORES: era o mecanismo usado pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais para manterem-se  no poder central. Esse mecanismo consistia na concessão de privilégios às elites dos outros Estados, de menor expressão na política nacional. Em troca desses privilégios as elites estaduais apoiavam os candidatos de paulistas e mineiros à Presidênciada República. O principal privilégio concedido as elites estaduais era a homologação das eleições, que era feita pela Comissão de Verificação de Poderes, controlada pela Presidência da República, que deveria homologar o resultado de todas as eleições no Brasil. Sendo assim, a Comissão de Verificaçãosó homologava a eleição dos candidatos ligados as elites estaduais que apoiavam o Presidente da República e as oligarquias paulista e mineira.
  • CORONELISMO: eram chamados de “Coronel” os líderes políticos regionais, normalmente grandes proprietários de terra. Esses líderes locais garantiam a manutenção das oligarquias no poder. Esses “Coronéis” formavam grandes “currais eleitorais” pos mantinham em suas regiões um grande número de pessoas dependentes de seus favores. Além disso, esses “Coronéis” mantinham sob seu controle vastos contingentes de trabalhadores, que eram obrigados à seguir seus empregadores. Em caso contrário sofriam perseguições, agressões e o risco de ficarem sem trabalho, era o “voto de cabresto.”

ECONOMIA

  • AGRICULTURA: a política econômica dos governos desse período privilegiou a agricultura de exportação. O café era o principal produto brasileiro de exportação e o estado de São Paulo o maior produtor. No entanto, durante o início do século XX a economia cafeeira no Brasil passava por uma crise de superprodução, o que provocava queda no preço do café. Para diminuir as perdas dos cafeicultores foi assinado o Convênio de Taubaté, onde o Estado Brasileiro comprometia-se a comprar toda a produção de café por preços interessantes para os cafeicultores. Para tanto, foi necessário que o governo brasileiro contraísse emprestímos em bancos internacionais, aumentando a dívida externa da nação. Outros produtos tiveram participação na economia brasileira: o cacau, no sul da Bahia; a cana-de-açúcar e; a borracha, que entre os anos de 1905 e 1913 impulsionou a economia e a ocupação da região amazônica, sendo o Brasil, nestes anos, o principal fornecedor de latex para a indústria automobilística.

    "O Café", quadro de Candido Portinari.

  • INDÚSTRIA: durante todo o período, a indústria esteve relegada a segundo plano, estando os governos mais interessados em proteger os negócios dos produtos rurais. Porém, algumas cidades brasileiras já apresentavam um incipiente desenvolvimento industrial, em especial São Paulo e Rio de Janeiro. Os recursos necessários ao processo de industrialização provinham da atividade cafeeira, dos imigrantes e do capital financeiro internacional. A produção de bens de consumo era predominante, com destaque para a indústria têxtil, de alimentos e de sapatos. Porém, com a Primeira Guerra Mundial houve a necessidade de se substituir os produtos importados, provocando a diversificação da produção industrial brasileira.