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O QUE PENSO SOBRE A REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932.

Apesar de paulista, não tenho um sentimento ufanista em relação à Revolução Constitucionalista de 1932. Para a historiografia oficial paulista, este evento teve motivação nobre, uma luta legalista, pela implantação de uma constituinte, já que desde a Revolução de 30 o país vivia sob um regime provisório, que havia suspendido a Constituição de 1889. No entanto, eu penso que esta suposta motivação é apenas uma justificativa ideológica e que este movimento dos paulistas teve outras finalidades.

No meu entendimento, a Revolução Constitucionalista de 1932 teve como pano de fundo a disputa pelo poder federal, já que a oligárquica cafeeira paulista dominou a política federal por toda a Primeira República. Com a Revolução de 30 os paulistas foram alijados do governo federal, que foi assumido por Getúlio Vargas, membro da oligarquia agrária gaúcha, periférica, até então, na política nacional.

Como o Governo de Vargas não convocava a constituinte, a oligarquia cafeeira paulista iniciou uma campanha pela Constitucionalização do país, com o intuito de derrubar o Presidente provisório e reassumir o controle do Estado Brasileiro. Com grande adesão dos paulistas, no interior e na capital, os paulistas passaram a pressionar o Governo Federal. Em 23 de maio de 1932, a cidade de São Paulo assistiu uma grande manifestação contra o Governo de Vargas. Neste evento que foi duramente reprimido pelo governo federal quatro estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco foram mortos, dando origem ao MMDC (sigla com as iniciais dos quatro estudantes – Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo). Esse fato gerou grande repercussão entre os paulistas, e em 9 de Julho do mesmo ano iniciou-se o conflito armado.

O Governo Federal reagiu a partir dos Estados vizinhos a São Paulo, que contava com a adesão, principalmente do Estado de Minas Gerais, o que não aconteceu, ficando isolado e enfraquecido. Em apenas três meses os paulistas foram derrotados e a Revolução Constitucionalista chegou ao fim. Parte da historiografia, talvez ironicamente, considera o movimento vitorioso, já que o Governo Vargas convoca a Constituinte em seguida, no entanto, o real objetivo da oligarquia cafeeira paulista não foi alcançado, já que Vargas fortaleceu-se no governo central, permanecendo no cargo até 1945.

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REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS – 1894/1930.

Este período também é conhecido como República do Café com Leite, pela sucessão de presidentes ligados as oligarquias paulista (café) e mineira (leite).

 

CAMPO X CIDADE

O Brasil do fim do século XIX e início do século XX tinha uma economia e uma população predominantemente rural. O café era o principal produto da pauta de exportações brasileira do período. A porção majoritária da população vivia no campo, como trabalhadores rurais, em sua maioria pobres e analfabetos, carentes inclusive da assistência do próprio Estado.

Já as cidades, em especial o Rio de Janeiro, capital administrativa, política e cultural do Brasil naquele período, sofriam forte influência da Europa. Os hábitos e o vestuário das elites era uma cópia dos europeus. Surgiam parques e grandes avenidas e a maior parte da população urbana, mais pobre, era empurrada para as periferias ou morros, dando origem as favelas, em um processo de marginalização social.

 

POLÍTICA

  • POLÍTICA DOS GOVERNADORES: era o mecanismo usado pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais para manterem-se  no poder central. Esse mecanismo consistia na concessão de privilégios às elites dos outros Estados, de menor expressão na política nacional. Em troca desses privilégios as elites estaduais apoiavam os candidatos de paulistas e mineiros à Presidênciada República. O principal privilégio concedido as elites estaduais era a homologação das eleições, que era feita pela Comissão de Verificação de Poderes, controlada pela Presidência da República, que deveria homologar o resultado de todas as eleições no Brasil. Sendo assim, a Comissão de Verificaçãosó homologava a eleição dos candidatos ligados as elites estaduais que apoiavam o Presidente da República e as oligarquias paulista e mineira.
  • CORONELISMO: eram chamados de “Coronel” os líderes políticos regionais, normalmente grandes proprietários de terra. Esses líderes locais garantiam a manutenção das oligarquias no poder. Esses “Coronéis” formavam grandes “currais eleitorais” pos mantinham em suas regiões um grande número de pessoas dependentes de seus favores. Além disso, esses “Coronéis” mantinham sob seu controle vastos contingentes de trabalhadores, que eram obrigados à seguir seus empregadores. Em caso contrário sofriam perseguições, agressões e o risco de ficarem sem trabalho, era o “voto de cabresto.”

ECONOMIA

  • AGRICULTURA: a política econômica dos governos desse período privilegiou a agricultura de exportação. O café era o principal produto brasileiro de exportação e o estado de São Paulo o maior produtor. No entanto, durante o início do século XX a economia cafeeira no Brasil passava por uma crise de superprodução, o que provocava queda no preço do café. Para diminuir as perdas dos cafeicultores foi assinado o Convênio de Taubaté, onde o Estado Brasileiro comprometia-se a comprar toda a produção de café por preços interessantes para os cafeicultores. Para tanto, foi necessário que o governo brasileiro contraísse emprestímos em bancos internacionais, aumentando a dívida externa da nação. Outros produtos tiveram participação na economia brasileira: o cacau, no sul da Bahia; a cana-de-açúcar e; a borracha, que entre os anos de 1905 e 1913 impulsionou a economia e a ocupação da região amazônica, sendo o Brasil, nestes anos, o principal fornecedor de latex para a indústria automobilística.

    "O Café", quadro de Candido Portinari.

  • INDÚSTRIA: durante todo o período, a indústria esteve relegada a segundo plano, estando os governos mais interessados em proteger os negócios dos produtos rurais. Porém, algumas cidades brasileiras já apresentavam um incipiente desenvolvimento industrial, em especial São Paulo e Rio de Janeiro. Os recursos necessários ao processo de industrialização provinham da atividade cafeeira, dos imigrantes e do capital financeiro internacional. A produção de bens de consumo era predominante, com destaque para a indústria têxtil, de alimentos e de sapatos. Porém, com a Primeira Guerra Mundial houve a necessidade de se substituir os produtos importados, provocando a diversificação da produção industrial brasileira.

GOVERNO FLORIANO PEIXOTO – 1891/1894.

Floriano Peixoto assumiu à Presidência da República após a renúncia de Deodoro da Fonseca.

O Governo do Marechal Floriano foi escorado em uma aliança entre o Presidente da República e o Congresso, dominado pelos cafeicultores paulistas, defensores do federalismo.

O Governo Floriano foi fundamental para a consolidação do regime republicano e abriu caminho para os cafeicultores assumirem o controle do Estado Brasileiro ao combater e reprimir revoltas que ameaçavam a República, como a Revolução Federalista e a Revolta da Armada.

REVOLUÇÃO FEDERALISTA.

No final do século XIX o Rio Grande do Sul enfrentava uma disputa política entre dois grupos, o Partido Republicano, positivista e representado pelas novas elites gaúchas, ligadas às cidades e; o Partido Federalista, com origem na oligarquia agrária gaúcha, os estancieiros pecuaristas.

Com a Proclamação da República Júlio de Castilhos foi indicado para a Presidência do Estado (Governador). Castilhos era líder do Partido Republicano e sua indicação levou a uma revolta liderada pelos Federalistas, antigos parceiros do Império, que se estendeu até os Estados de Santa Catarina e Paraná.

A repressão à revolta foi violenta, e Júlio de Castilho, aliado do Presidente da República, foi confirmado como Presidente do Estado.

 

REVOLTA DA ARMADA.

Foi um movimento deflagrado por setores da Marinha Brasileira em 1893.

A Revolta da Armada estava intrinsecamente relacionada a composição de forças nas regiões brasileiras. As oligarquias alijadas do poder nos Estados voltaram-se contra o Presidente com a justificativa da não convocação de eleições por Floriano, que deveria ter o feito no prazo máximo de dois à contar da renúncia de Deodoro em novembro de 1891.

Os revoltosos ganharam o apoio de monarquistas ligados à Marinha. No entanto, o Presidente contava com o apoio dos cafeicultores paulistas e do Congresso e reprimiu a Revolta, firmando sua imagem como defensor da República.

 


PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA – GRUPOS SOCIAIS PROTAGONISTAS.

Dois grupos sociais agiram de forma significativa para a Proclamação da República no Brasil:

  • Cafeicultores Paulistas: antes aliados da Monarquia, os cafeicultores paulistas, membros da oligarquia agrária econômicamente dominante no Brasil, tornaram-se opositores do Império, pois enxergavam na mudança de regime político uma oportunidade de assumir o controle direto do Estado brasileiro. A Abolição da Escravidão contribuiu e serviu de motivo para o rompimento entre cafeicultores e a Monarquia
  • Exército: Durante o Império o Exército ocupou uma posição marginal na política nacional. Além disso, a remuneração dos militares, a disciplina da coorporação e a lentidão nas promoções incomodavam os militares. Após a Guerra do Paraguai, o Exército brasileiro saiu fortalecido, e muitos oficiais passaram a reivi ndicar maior espaço para a participação política. Esse desejo levou a uma série de conflitos entre o Exército e a Monarquia, e os militares encontraramna mudança de regime político uma possibilidade de assumir um novo papel na cena política nacional.