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REVOLUÇÃO CUBANA.

A Revolução Cubana de 1959 foi a responsável por derrubar um regime ditatorial liderado pelo General Fulgêncio Batista, apoiado pelo Governo dos EUA. O Governo Batista favorecia claramente os interesses norte-americanos em Cuba em detrimento dos cubanos, que viviam em situação bastante precária. As desigualdades sociais eram claras, uma pequena elite cubana, que controlava a política beneficiava-se com a política pró EUA, enquanto a maior parte das pessoas tinham dificuldades para sobreviver. A economia cubana era bastante deficiente sendo o país, desde sua independência, em 1898, considerado o “quintal norte-americano” A ingerência dos EUA sobre a política cubana era tamanha, que anos depois da independência, em 1901, quando promulgada a primeira constituição cubana, após sucessivas intervenções militares dos EUA sobre o território de Cuba, estabeleceu o direito de os EUA intervirem nas decisões políticas do país, em documento conhecido como Emenda Platt. Cuba, por estar muito próxima dos EUA, no Mar do Caribe, era muito freqüentada pelos norte-americanos, que veraneavam nos hotéis, boates e prostíbulos da capital Havana.

Devido a essa situação, um, então jovem, bacharel em Direito, filho de uma família de classe média cubana, indignou-se e passou a contestar o status quo político cubano pró-norteamericano. A partir de 1956, reunindo cerca de oitenta homens, Fidel Castro iniciou um movimento revolucionário de guerrilha, com ações armadas em várias cidades. O principal foco revolucionário estabeleceu na região de Sierra Maestra, área montanhosa, de floresta, onde os guerrilheiros tinham facilidade para se esconderem. Ao mesmo tempo, a população cubana, insatisfeita com a situação de penúria e descontente com o governo de Fulgêncio Batista passou a apoiar a guerrilha de Fidel Castro.

Além de Fidel, outro importante líder da Revolução Cubana foi o argentino Che Guevara, que após uma longa viagem pela América do Sul, em que passou por diversos países andinos, assumiu para si o compromisso de lutar contra a injustiça social provocada pelo Imperialismo em toda a América Latina. Che conheceu Fidel Castro e parte dos revolucionários cubanos no México, quando do exílio do grupo de Castro naquele país.

Após três anos de luta, os revolucionários cubanos conseguiram avançar sobre a capital Havana e destituíram o Governo de Fulgêncio Batista, obrigando o antigo ditador a se refugiar no exterior, em 1 de janeiro de 1959 Fidel Castro e seus companheiros conquistaram o poder, instituindo um novo regime político e um sistema em prol dos interesses cubanos.


CARTA DE DESPEDIDA DE CHE A FIDEL

Praça da Revolução, Havana, Cuba

Aproveito para retomar a publicação deste blog, no segundo semestre de 2011 deixei de blogar por aqui devido aos muitos compromissos.

Como um dos temas do momento é a visita da Presidenta Dilma à Cuba, aproveito para disponibilizar o conteúdo de um documento histórico ligado a esse país, que é a Carta de despedida de Che a Fidel, do ano de 1965, quando Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, de 1959, decidiu deixar Cuba para voltar a luta revolucionário contra o Imperialismo e por Justiça Social. Aliás, esse sempre foi o obejtivo da luta de Che Guevara, ao contrário da historiografia oficial, em especial a norte-americana, impregnarem na Revolução Cubana o caráter comunista, isso deu-se pelo contexto da Guerra Fria e por Cuba aproveitar o bipolarismo do planeta naquele momento para se aproximar da União Soviética.

Che Guevara deixou uma Cuba vitoriosa, tanto no campo nacional, quanto no internacional, com um sistema político consolidado, Fidel como líder político, militar e administrativo, e o país livre, depois de superar a Crise dos Misséis e a tentativa de invasão dos EUA no evento conhecido como Ataque à Baía dos Porcos.

 

Carta de Despedida de Che a Fidel.

A Fidel Castro,

Havana: “Ano da Agricultura.”

Fidel;

Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando o conheci no México, na casa de María Antonia, quando me propôs juntar-me a você; de todas as tensões causadas pelos preparativos.

Um dia vieram me perguntar quem devia ser notificado em caso de morte, e a possibilidade real desse fato causou um impacto. Mais tarde, soubemos que era verdade, que numa revolução se vence ou se morre (se ela for autêntica).

Atualmente, tudo tem um tom menos dramático, porque somos mais maduros. Mas o fato se repete. Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à revolução cubana em seu território e me despeço de você, dos camaradas, do seu povo, que agora é meu.

Che Guevara e Fidel Castro.

Renuncio formalmente a meus cargos no Partido, a meu posto de ministro, à minha patente de comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me vincula a Cuba, só laços de outra ordem que não se podem quebrar com nomeações.

Recordando minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. Minha única deficiência grave foi não ter tido mais confiança em você desde os primeiros momentos na Sierra Maestra e não ter percebido com devida rapidez suas qualidades de líder revolucionário.

Vivi dias magníficos e, ao seu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise caribenha (dos mísseis). Raramente um estadista foi mais brilhante do que você naqueles dias, orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificado com a tua maneira de pensar e de ver e apreciar os perigos e os princípios.

Outras serras do mundo requerem meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que lhe é vedado devido à sua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com uma mescla de alegria e pena. Deixo aqui minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como filho. Isso fere uma parte do meu espírito. Carrego para novas frentes de batalha a fé que você me ensinou, o espírito revolucionário do meu povo, a sensação de estar cumprindo com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que seja. Isso me consola e mais do que cura as feridas mais profundas.

Declaro uma vez mais que eximo Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se minha hora final me encontrar debaixo de outros céus, meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, que te digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, ao que tentarei ser fiel até ás últimas consequências dos meus actos; que estive sempre identificado com a politica externa da nossa revolução, e continuo a estar; que onde quer que me detenha sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal actuarei. Não lamento por nada deixar nada material para minha mulher e meus filhos. Estou feliz que seja assim. Nada peço para eles, pois o Estado os proverá com o suficiente para viver e para ter instrução.

Teria muitas coisas que dizer a ti e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias as palavras e não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena deitar mais borrões no papel.

Hasta la victoria siempre! Patria o muerte!

Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.