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O papa jesuíta.

OS JESUÍTAS NO BRASIL

“Habemus Papam.” Fumaça branca no céu romano, na tarde de 13 de março indicam que a Igreja Católica tem seu novo guia espiritual e chefe político. Francisco, foi o nome escolhido pelo cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, indicado por seus pares como o novo pontífice do catolicismo. O que chamou atenção na escolha de Bergoglio foi sua ordem religiosa de origem, a Companhia de Jesus. Francisco, será o primeiro Papa jesuíta.

A Companhia de Jesus surgiu no século XVI, no contesto das Reformas Religiosas. Fundada por Santo Inágcio de Loyola, mas precisamente no ano de 1534 e reconhecida pelo Papa Paulo III em 15440. Os jesuítas são conhecidos como os soldados de Cristo, e caracterizaram-se na Era Moderna pela conversão das populações do Novo Mundo, como os ameríndios, ao catolicismo. A ação dos jesuítas seguia alguns modelos: fundavam vilas nas terras dos impérios português e espanhol, a partir da construção de um colégio, onde as populações seriam educadas dentro dos princípios católicos ou; em regiões mais inóspitas, instituíam as missões, aldeamentos católicos, que atraíam as populações nativas, ameaçadas pela escravização, obrigadas, nas missões, a converterem-se ao catolicismo, adotando o modo de vida europeu.  No Brasil, os jesuítas tiveram importante papel na ocupação de São Paulo, fundada a partir de um colégio jesuíta e da região sul, com as missões. José de Anchieta e Manoel da Nóbrega destacaram-se nos primeiros anos, enquanto o padre Antonio Viera ficou famoso por seus sermões no século XVIII.

Papa Francisco

Hoje a Companhia de Jesus é a maior ordem religiosa católica do planeta e a escolha de um membro seu para o papado neste momento indica a  necessidade de a Igreja Católica em promover uma nova missão civilizadora em busca de novos fies para conter o avanço do protestantismo e de outras religiões.

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ÍNDIOS, OS DONOS DA TERRA

Excelente documentário sobre a questão indígena no Brasil de hoje, com relatos da História dos Tupis-Guaranis.

O documentário se passa na aldeia indígena de Ribeirão Silveira, na cidade de Bertioga, litoral paulista.


REVOLTA DA VACINA – VÍDEO INTERESSANTE


O GOLPE DE ESTADO DE 1º DE ABRIL DE 1964 NO BRASIL.

Nos últimos dias notícias nas TVs, rádios, jornais, revistas e na Web, deram conta da tentativa do Clube Militar do Rio de Janeiro em promover uma comemoração pela data que marca o Golpe de Estado dado por eles no sistema democrático brasileiro em 1º de abril de 1964. Parece mentira, mas o Clube Militar e setores conservadores da sociedade brasileira teimam em denominar esse Golpe de Estado em Revolução, que teria garantido o estado de direito no Brasil, que estaria supostamente ameaçado pelo Comunismo. É preciso lembrar que o mundo, na segunda metade do século XX vivia sob o estigma da Guerra Fria, onde as ideologias capitalista e comunista serviam de justificativa para a disputa imperialista de EUA e União Soviética, e as elites brasileiras, que controlavam o poder em nosso país desde a Proclamação da República, sob influência política norte-americana deste a Doutrina Monroe, onde os EUA forçavam a adesão das nações da América Latina a aderirem a ideologia política-cultural e aos interesses econômicos norte-americanos, defendiam veementemente a manutenção desta ordem, supostamente ameaçada pelo Governo João Goulart, denunciado pela mídia brasileira como de inclinação comunista-soviética.

Jango, como era conhecido o presidente João Goulart, nada tinha de comunista, muito menos de soviético. A sua origem remete às oligarquias agrárias brasileira, era um representante dos caudilhos populistas do cone sul da América Latina, um estancieiro gaúcho e um dos herdeiros políticos de Getúlio Vargas e de seu trabalhismo. Jango foi eleito vice-presidente do Brasil, no ano de 1960, quando Jânio Quadros foi eleito para a Presidência. O mandato de Quadros foi tão relâmpago como sua ascensão política, e durou apenas oito meses, em uma renúncia ainda obscura em agosto de 1961. Neste momento, Jango encontrava-se em viagem oficial à China, e o Congresso Nacional, dominado pelas elites regionais brasileiras, defensoras dos interesses do capital norte-americano no Brasil, iniciou um processo de esvaziamento das funções da Presidência da República, transferindo para o Congresso Nacional os poderes do executivo federal, instalando um Parlamentarismo no Brasil, que vigorou entre os anos de 1961 e 1962, quando um Plebiscito restaurou o Presidencialismo em nosso país.

Presidente João Goulart, o Jango.

Entre os anos de 1963 e 1964 Jango assumiu efetivamente a Presidência da República, com todas as suas funções, enfrentando uma grave crise econômica, propôs as Reformas de Base, que entre outras ações propunha a Reforma Agrária, o controle das remessas de capital para o estrangeiro e a nacionalização de empresas de setores considerados estratégicos. As Reformas de Base foram defendidas pelo Presidente Jango em comício no dia 13 de março, na Estação Central do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Em 19 de março veio a reação das elites conservadores brasileiras, que convocou a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, na cidade de São Paulo, apoiada pela mídia brasileira e pela Igreja Católica. A “Marcha”, que reuniu cerca de 500 mil pessoas nas ruas de São Paulo, foi o termômetro de que o Governo Jango não tinha apoio suficiente da opinião pública e da população para suportar um golpe de estado, que seria levado ao cabo pelo alto generalato brasileiro, com suporte da CIA (Serviço Secreto dos EUA) e com a conivência da elite econômica brasileira, da mídia nacional e de setores conservadores da sociedade brasileira na madrugada de 1º de abril.

Para escapar da pecha de ter sido imposto aos brasileiros no dia da mentira, a historiografia do regime autoritário militar brasileiro antecipou o início do golpe de estado para o dia 31 de março.


MARQUÊS DE SAPUCAÍ.

Mais conhecido hoje por ser nome da avenida onde foi construído o sambódromo do Rio de Janeiro, o Marquês de Sapucaí, ou Cândido José de Araújo Viana foi um importante político do Império Brasileiro, influente deste o primeiro reinado, mas especialmente a partir do final do período regencial e no segundo reinado. E foi exatamente Dom Pedro II que concedeu os títulos nobiliarquícos a ele.

Nascido na, então, Província de Minas Gerais, em Congonhas do Sabará (atual Nova Lima), em 15 de setembro de 1793, partiu para Portugal, ainda Métrópole do Brasil, onde se bacharelou em Direito, na Universidade de Coimbra, no ano de 1821, às vésperas da independência do Brasil. Voltando ao Brasil atuou em alguns cargos da burocracia de estado, e no ano de 1823 assumiu uma cadeira como deputado constituinte (a Constituição de 1824 foi a primeira do Brasil). Exerceu ainda outros dois mandatos como deputado geral, o equivalente a deputado federal hoje, e em 1839 tornou-se um dos tutores de de Dom Pedro II.

A partir da ascensão de Pedro II ao trono, conquistou importantes postos na administração imperial, foi Ministro da Fazenda, da Justiça, Presidente das Províncias de Alagoas e do Maranhão, Ministro do Supremo Tribunal de Justiça. Neste período, foi eleito Senador por Minas Gerais, sendo, inclusive, entre 1851 e 1853 Presidente do Senado Imperial. Foi ainda membro do Conselho de Estado de Dom Pedro II.

Além da política, dedicou-se ao ensino e pesquisa, sendo um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entidade que também presidiu.

Morreu na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império, no ano de 1875.


90 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO.

Nesta semana que passou a tão falada Semana de Arte Moderna de São Paulo completou noventa anos.  Realizada no Teatro Municipal de São Paulo, suas exposições e recitais são consideradas o marco inicial do Modernismo brasileiro. Ícones da primeira geração modernista brasileira participaram da Semana, como Mário de Andrade, Anita Malfati, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Oswald de Andrade, Brecheret, Di Cavalcanti, Vila Lobos entre outros.

O Homem Amarelo, obra de Anita Malfati

Constata-se que anos antes, por volta de 1912, Oswald de Andrade já divulgava as ideias modernistas em jornais e revistas brasileiras e, em 1917 Anita Malfati, que voltava de uma temporada de estudos artísticos na Europa e dos EUA, realizou uma exposição de quadros que chocou a sociedade paulistana da época, sendo alvo de ataques dos críticos de arte do período, em especial de Monteiro Lobato, crítico do jornal O Estado de SP, principal publicação de então.

Os anos que se seguiram até 1922, serviu para o grupo modernista ganhar adeptos, conquistar apoio entre os membros da oligarquia cafeeira paulista que atuava como mecenas das artes. A elite econômica paulista usava o patrocínio aos artistas de vanguarda para acentuar um suposto grau de elitismo cultural.

Em fevereiro de 1922 o grupo modernista paulista consegue articular-se e realiza a Semana de Arte Moderna de SP, porém, ao contrário do que podemos pensar hoje, 90 anos depois, a classe artística vanguardista não tinha um modelo pronto para apresentar ao Brasil. Isso fica claro em uma fala do próprio Oswald de Andrade, “Não sabemos o que queremos. Mas sabemos o que não queremos.” O grande mérito da Semana foi rejeitar a forma anterior de arte, centrada em um academicismo estético, muito bem representado pela poesia parnasiana, que tinha por objetivo a exaltação da beleza, mesmo que isso provocasse uma arte sem conteúdo ideológico.

Participantes da Semana de Arte Moderna de São Paulo nas escadarias do Teatro Municipal

A Semana de Arte Moderna de SP rompe com esse academicismo, apresentando um esboço do que seria a arte moderna brasileira, e por este motivo, apesar de celebrada por alguns presentes ela é contestada por grande parte da sociedade paulista. Ainda na década de 1920, a Arte Moderna brasileira toma forma e conquista a sociedade paulista e brasileira.

Os anos 1920 foram um período de transformações no Brasil, em especial em São Paulo. O café, principal produto da pauta de exportações brasileiras desde a segunda metade do século XIX, tornou São Paulo no estado mais rico da nação, e alçou sua capital a condição de maior centro urbano-industrial brasileiro. Também na política, o início dos anos 1920 trouxeram a Reação Republicana, movimento encabeçado por Nilo Peçanha, que desafiou a Política do Café-com-Leite, que ditava os rumos da política brasileira, no revezamento de paulistas e mineiros na Presidência da República. Peçanha, concorreu e perdeu ao pleito nacional para o mineiro Arthur Bernardes. Apesar da derrota, alguns historiadores enxergam ali o germe do Partido Democrático, que em São Paulo seria fundado anos mais tarde em 1926. Ainda em 1922, como consequência da eleição de Bernardes à Presidência, ocorreu a Revolta dos 18 do Forte, na praia de Copacabana, quando os militares de baixa patente ali aquartelados rebelaram-se contra o governo central, contestando as oligarquias. Essa revolta deu origem ao movimento tenentista, um dos pilares da Revolução de 30 que encerrou a República Velha. Ainda em 1922 foi fundado no Brasil o Partido Comunista de inspiração marxista. A Semana de Arte Moderna de São Paulo insere-se neste contexto.


O QUE PENSO SOBRE A REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932.

Apesar de paulista, não tenho um sentimento ufanista em relação à Revolução Constitucionalista de 1932. Para a historiografia oficial paulista, este evento teve motivação nobre, uma luta legalista, pela implantação de uma constituinte, já que desde a Revolução de 30 o país vivia sob um regime provisório, que havia suspendido a Constituição de 1889. No entanto, eu penso que esta suposta motivação é apenas uma justificativa ideológica e que este movimento dos paulistas teve outras finalidades.

No meu entendimento, a Revolução Constitucionalista de 1932 teve como pano de fundo a disputa pelo poder federal, já que a oligárquica cafeeira paulista dominou a política federal por toda a Primeira República. Com a Revolução de 30 os paulistas foram alijados do governo federal, que foi assumido por Getúlio Vargas, membro da oligarquia agrária gaúcha, periférica, até então, na política nacional.

Como o Governo de Vargas não convocava a constituinte, a oligarquia cafeeira paulista iniciou uma campanha pela Constitucionalização do país, com o intuito de derrubar o Presidente provisório e reassumir o controle do Estado Brasileiro. Com grande adesão dos paulistas, no interior e na capital, os paulistas passaram a pressionar o Governo Federal. Em 23 de maio de 1932, a cidade de São Paulo assistiu uma grande manifestação contra o Governo de Vargas. Neste evento que foi duramente reprimido pelo governo federal quatro estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco foram mortos, dando origem ao MMDC (sigla com as iniciais dos quatro estudantes – Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo). Esse fato gerou grande repercussão entre os paulistas, e em 9 de Julho do mesmo ano iniciou-se o conflito armado.

O Governo Federal reagiu a partir dos Estados vizinhos a São Paulo, que contava com a adesão, principalmente do Estado de Minas Gerais, o que não aconteceu, ficando isolado e enfraquecido. Em apenas três meses os paulistas foram derrotados e a Revolução Constitucionalista chegou ao fim. Parte da historiografia, talvez ironicamente, considera o movimento vitorioso, já que o Governo Vargas convoca a Constituinte em seguida, no entanto, o real objetivo da oligarquia cafeeira paulista não foi alcançado, já que Vargas fortaleceu-se no governo central, permanecendo no cargo até 1945.