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“Um estranho no ninho”

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“Habemus Papam!” Apesar das projeções apontarem para um conclave um pouco mais prolongado ao final do segundo dia da reunião dos cardeais da Igreja Católica foi indicado o novo papa, o cardeal argentino, jesuíta, Jorge Mario Bergoglio, que escolheu o nome papal Francisco, usado pela primeira vez. O nome não é a única novidade na escolha de Bergoglio, pela primeira vez um latino-americano é escolhido papa.  Aparentemente, a escolha por Bergolgio se dá em um contexto onde a maior concentração de católicos do mundo se dá no nosso subcontinente, ao mesmo tempo, escolhendo o nome Francisco, ele pode estar remetendo a São Francisco Xavier, co-fundador da ordem jesuítica, e considerado um dos maiores civilizadores católicos da Contra-Reforma, com atuação destacada no continente asiático. Muitos tentam ligar a escolha do nome Francisco a outro santo católico, Francisco de Assis, remetendo assim o foco do novo papado para as causa da desigualdade.

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Papa Francisco

A escolha de Bergoglio assemelha-se a escolha do polonês Karol Wojtyla, Papa João Paulo II, em 1978. Afirmo isso pela conjuntura política global. No quartel final do século passado, a escolha de Wojtyla colaborou para a derrocada do bloco socialista soviético, aglutinado na Europa Oriental, região de origem de Wojtyla. Em 1980 surgiu o Sindicato Solidariedade, liderado por Lech Walesa, que com apoio da Igreja Católica e do bloco capitalista, foi o principal agente para a mudança de sistema na Polônia, que foi o estopim para reformas semelhantes na maior parte dos países do bloco soviético, inclusive na Rússia. Wojtyla usou a simbologia do cargo que ocupou para incitar os católicos, e mesmo os não católicos, do leste europeu contra os regimes socialistas e defendendo uma suposta liberdade vivida na Europa Ocidental e América do Norte.

Desde 1998, com a primeira eleição de Hugo Chavez na Venezuela, governos populares e nacionalistas, com foco no social, vêm ganhando sucessivas eleições, em boa parte da América Latina. No Brasil, o PT iniciou com Lula e agora permanece no poder com Dilma; na Bolívia Evo Morales governa; no Uruguai Mujica governa na mesma linha; no Equador Rafael Côrrea acaba de ser reeleito e; assim é também em outros países, inclusive na Argentina de Bergoglio, onde a Presidenta Cristina Kirchner é soberana. Os partidos conservadores, alinhados ao pensamento neoliberal, aliados do imperialismo norte-americano, mantém governos democráticos hoje na Colômbia (onde há muito tempo são soberanos) e, recentemente, no Chile. Já em Honduras e no Paraguai, promoveram golpes de estado, retirando do poder presidentes democraticamente eleitos em ações sem respaldo popular, com base em argumentos legais de difícil sustentação, e contestados pelo coletivo de países da região.

Essa ascensão democrático-popular na América Latina vem fortalecendo os laços regionais e privilegiando relações no sentido Sul-Sul em detrimento com das com os EUA e a antiga soberania do hemisfério norte sobre o sul. Este processo tem formado as condições para o rompimento da dependência do sul em relação ao norte, da América Latina em relação aos EUA e a União Européia e esse caminho tem desagradado os velhos donos do capital, que hoje já não reinam no mundo com reinavam antes. Figuras como Chavez e Lula, que no século XXI estão invictos nas urnas em seus países e que tem exportado para os vizinhos o projeto de autonomia nacional e regional são os grandes inimigos dos defensores do livre-mercado que preferem governos fracos e que não atrapalhem suas negociatas.

Lula, Kirchner, Morales e Chávez, Puerto Iguazú, Ricardo Stuckert-PR

Nestor Kirchner, Evo Morales, Lula e Hugo Chavez.

Neste sentido, a escolha da divina providência, que colocou o cardeal Bergoglio no trono papal, eleva à condição de liderança mundial um adversário deste projeto progressista posto na América Latina. Desde a eleição de Nestor Kirchner, Bergoglio choca-se com o governo argentino. O Vaticano e o colégio de cardeais que a dois milênios joga o jogo do poder no planeta, acaba de colocar uma nova peça no xadrez político da América Latina, uma peça do lado do projeto de dominação imperialista de EUA e Europa sobre o nosso subcontinente.

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O papa jesuíta.

OS JESUÍTAS NO BRASIL

“Habemus Papam.” Fumaça branca no céu romano, na tarde de 13 de março indicam que a Igreja Católica tem seu novo guia espiritual e chefe político. Francisco, foi o nome escolhido pelo cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, indicado por seus pares como o novo pontífice do catolicismo. O que chamou atenção na escolha de Bergoglio foi sua ordem religiosa de origem, a Companhia de Jesus. Francisco, será o primeiro Papa jesuíta.

A Companhia de Jesus surgiu no século XVI, no contesto das Reformas Religiosas. Fundada por Santo Inágcio de Loyola, mas precisamente no ano de 1534 e reconhecida pelo Papa Paulo III em 15440. Os jesuítas são conhecidos como os soldados de Cristo, e caracterizaram-se na Era Moderna pela conversão das populações do Novo Mundo, como os ameríndios, ao catolicismo. A ação dos jesuítas seguia alguns modelos: fundavam vilas nas terras dos impérios português e espanhol, a partir da construção de um colégio, onde as populações seriam educadas dentro dos princípios católicos ou; em regiões mais inóspitas, instituíam as missões, aldeamentos católicos, que atraíam as populações nativas, ameaçadas pela escravização, obrigadas, nas missões, a converterem-se ao catolicismo, adotando o modo de vida europeu.  No Brasil, os jesuítas tiveram importante papel na ocupação de São Paulo, fundada a partir de um colégio jesuíta e da região sul, com as missões. José de Anchieta e Manoel da Nóbrega destacaram-se nos primeiros anos, enquanto o padre Antonio Viera ficou famoso por seus sermões no século XVIII.

Papa Francisco

Hoje a Companhia de Jesus é a maior ordem religiosa católica do planeta e a escolha de um membro seu para o papado neste momento indica a  necessidade de a Igreja Católica em promover uma nova missão civilizadora em busca de novos fies para conter o avanço do protestantismo e de outras religiões.


Sé vacante, a espera do próximo Papa!

Cardeais em procissão pelo Vaticano.

Em tempos de “Sé vacante”, ou seja, de que não há Papa, o líder político e religioso da Igreja Católica, a questão papal é recorrente. Definida a data do início do conclave, reunião de cardeais que escolherá o sucessor de Bento XVI (que renunciou em 28 de fevereiro deste ano), 12 de março, especula-se os possíveis papas. Tem direito a participar do conclave os cardeais de todo o mundo, de até 80 anos. Esses cardeais ficaram reclusos no Vaticano a partir da próxima terça-feira, incomunicáveis com o mundo exterior, e duas vezes ao dia reuniram-se na Capela Sistina para votações. Será o novo papa aquele que obtiver dois terços dos votos dos cardeais, caso haja uma indefinição após doze dias, os dois nomes mais votados passam a ser os únicos possíveis indicados, sendo que ainda persistirá a exigência de dois terços dos votos para eleição do Papa. A votação é feita por meio de cédula de papel, que são contatas por três cardeais responsáveis pela apuração dos votos, após o término da apuração as cédulas são queimadas, emitindo uma fumaça escura se o resultado da eleição não for a escolha do novo Papa ou uma fumaça branca, no caso de a votação ter escolhido o novo líder dos católicos.

Cento e quinze cardeais dos cinco continentes participaram do próximo conclave, de caráter nitidamente europeu, aproximadamente 50% dos cardeais votantes são europeus, em um total de 58, sendo 20 italianos. O continente americano tem 35 cardeais, sendo 14 da América do Norte e 21 da América Latina, norte-americanos são 11 eleitores. África e Ásia contam cada continente com 11 cardeais aptos e a Oceania com apenas 2.


O GOLPE DE ESTADO DE 1º DE ABRIL DE 1964 NO BRASIL.

Nos últimos dias notícias nas TVs, rádios, jornais, revistas e na Web, deram conta da tentativa do Clube Militar do Rio de Janeiro em promover uma comemoração pela data que marca o Golpe de Estado dado por eles no sistema democrático brasileiro em 1º de abril de 1964. Parece mentira, mas o Clube Militar e setores conservadores da sociedade brasileira teimam em denominar esse Golpe de Estado em Revolução, que teria garantido o estado de direito no Brasil, que estaria supostamente ameaçado pelo Comunismo. É preciso lembrar que o mundo, na segunda metade do século XX vivia sob o estigma da Guerra Fria, onde as ideologias capitalista e comunista serviam de justificativa para a disputa imperialista de EUA e União Soviética, e as elites brasileiras, que controlavam o poder em nosso país desde a Proclamação da República, sob influência política norte-americana deste a Doutrina Monroe, onde os EUA forçavam a adesão das nações da América Latina a aderirem a ideologia política-cultural e aos interesses econômicos norte-americanos, defendiam veementemente a manutenção desta ordem, supostamente ameaçada pelo Governo João Goulart, denunciado pela mídia brasileira como de inclinação comunista-soviética.

Jango, como era conhecido o presidente João Goulart, nada tinha de comunista, muito menos de soviético. A sua origem remete às oligarquias agrárias brasileira, era um representante dos caudilhos populistas do cone sul da América Latina, um estancieiro gaúcho e um dos herdeiros políticos de Getúlio Vargas e de seu trabalhismo. Jango foi eleito vice-presidente do Brasil, no ano de 1960, quando Jânio Quadros foi eleito para a Presidência. O mandato de Quadros foi tão relâmpago como sua ascensão política, e durou apenas oito meses, em uma renúncia ainda obscura em agosto de 1961. Neste momento, Jango encontrava-se em viagem oficial à China, e o Congresso Nacional, dominado pelas elites regionais brasileiras, defensoras dos interesses do capital norte-americano no Brasil, iniciou um processo de esvaziamento das funções da Presidência da República, transferindo para o Congresso Nacional os poderes do executivo federal, instalando um Parlamentarismo no Brasil, que vigorou entre os anos de 1961 e 1962, quando um Plebiscito restaurou o Presidencialismo em nosso país.

Presidente João Goulart, o Jango.

Entre os anos de 1963 e 1964 Jango assumiu efetivamente a Presidência da República, com todas as suas funções, enfrentando uma grave crise econômica, propôs as Reformas de Base, que entre outras ações propunha a Reforma Agrária, o controle das remessas de capital para o estrangeiro e a nacionalização de empresas de setores considerados estratégicos. As Reformas de Base foram defendidas pelo Presidente Jango em comício no dia 13 de março, na Estação Central do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Em 19 de março veio a reação das elites conservadores brasileiras, que convocou a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, na cidade de São Paulo, apoiada pela mídia brasileira e pela Igreja Católica. A “Marcha”, que reuniu cerca de 500 mil pessoas nas ruas de São Paulo, foi o termômetro de que o Governo Jango não tinha apoio suficiente da opinião pública e da população para suportar um golpe de estado, que seria levado ao cabo pelo alto generalato brasileiro, com suporte da CIA (Serviço Secreto dos EUA) e com a conivência da elite econômica brasileira, da mídia nacional e de setores conservadores da sociedade brasileira na madrugada de 1º de abril.

Para escapar da pecha de ter sido imposto aos brasileiros no dia da mentira, a historiografia do regime autoritário militar brasileiro antecipou o início do golpe de estado para o dia 31 de março.


MISSÕES JESUÍTICAS.

Ruínas de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul.

 

A FUNDAÇÃO DA COMPANHIA JESUS.

A Companhia de Jesus foi fundada em 1534 no contexto da Contra-Reforma como uma das medidas para conter o avanço do Protestantismo. Seu fundador foi o espanhol Inácio de Loyola, que após ferir-se em uma batalha converteu-se totalmente à vida cristã.

A missão dos Jesuítas era difundir o Evangelho pelo mundo. A Educação foi um dos instrumentos fundamentais desta pregação. Muitos colégios jesuítas doram fundados na Europa e na América para cristianizar os povos e formá-los na doutrina católica.

 

OS JESUÍTAS EM PORTUGAL E NO BRASIL.

Os jesuítas passaram a atuar nos empreendimentos coloniais portugueses como missionários evangelizadores. Vários jesuítas vieram ao Brasil, os mais famosos foram os padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, com o objetivo de converter as populações indígenas.

Os primeiros colégios jesuítas foram fundados na Bahia e em São Vicente. Os jesuítas ensinavam retórica, humanidades, gramática, mas utilizavam principalmente a música e o teatro na evangelização dos indígenas.

AS MISSÕES JESUÍTICAS.

Para catequizar os indígenas os jesuítas organizaram em várias partes da América do Sul aldeamentos chamados “missões”. o objetivo dessa ação era transformar completamente o modo de vida dos indígenas, fazendo-os abandonar o politeísmo, a poligâmia e o antropofagismo, além de desvalorizar as funções dos pajés (líderes espirituais).

A porção sul do sub-continente e a região amazônica foram as que receberam a maior parte das missões jesuítas.

A organização interna das “missões” assemelhava-se a militar pela rígida disciplina e pela imposição do modo de vida católico aos indígenas. Os índios praticavam o artesanato, agricultura e a criação de animais. Quanto a catequização dos indígenas a música exerceu papel importante neste processo.


ORIGEM DO MUNDO E DO SER HUMANO.

Duas são as explicações mais difundidas sobre como surgiu o Mundo e como apareceu o Homem no planeta.

Uma delas, o Criacionismo, faz parte da tradição cristã e procura explicar a criação do Mundo e o aparecimento do Homem a partir de uma crença religiosa e verdades incontestáveis (dogmas).

A segunda, o Evolucionismo, é uma explicação científica sobre o surgimento do mundo e dos seres vivos (as espécies). O cientista Charles Darwin é o fundador desta idéia, ainda no século XIX.

CRIACIONISMO.

Afresco da Capela Sistina representando a criação do Homem.

Os princípios do Criacionismo estão contidos no Gênesis, um dos livros que compõem a Bíblia.

Segundo esta teoria, Deus criou o Mundo, toda a natureza, inclusive os homens, ao mesmo tempo, e desde então, até hoje, tudo permanece inalterado.

 

EVOLUCIONISMO.

A teoria Evolucionista tem origem com os estudos de Charles Darwin, biólogo inglês, que percorreu o mundo em viagens para observar os seres vivos, e em 1859 publicou os resultados de suas pesquisas no livro “A origem das espécies”. Com o tempo à teoria

Charles Darwin

Evolucionista foi incorporando novas descobertas de outros pesquisadores de diversas áreas.

Segundo o Evolucionismo, todos os seres vivos são resultado da evolução de organismos mais simples, que transformaram-se ao longo do tempo. Darwin defendia que os seres vivos mais bem adaptados ao meio sobreviveram e transmitiram suas características aos descendentes. As espécies menos adaptadas ao meio tenderiam a desaparecer,pois teriam mais dificuldades para deixarem descendentes.


QUANDO COMEÇOU O CARNAVAL?

Representação do Carnaval em Roma (Saturnália).

Costuma-se dizer que o Carnaval é uma festa pagã, ou seja, não Católica. No entanto, ao observar em que regiões do globo encontramos o Carnaval chegamos a conclusão de que quase a totalidade dos lugares que comemoram o Carnaval tem tradição Católica.

A origem do Carnaval certamente está na Antiguidade, nas civilizações egípcia, grega e romana, onde ocorriam grandes festas ligadas às divindades pagãs da fertilidade e agricultura, nos períodos de grandes colheitas. Nestas festas havia fartura de alimentos e bebidas.

Na Europa da Idade Média essas festas continuavam a existir, mesmo sob forte religiosidade Católica. Por volta dos séculos XI e XII para regular e limitar o período de ocorrência destas festas pagãs e o consumo de alimentos, a Igreja Católica associou estas festas à Quaresma, atribuíndo à elas o nome de Carnaval, palavra de origem latina que significa abstinência de carne.

Representação do Carnaval Medieval.

A partir de então, o Carnaval passou a ser celebrado sempre quarenta dias antes da Páscoa, antecedendo a Quaresma, período em que os católicos promovem privações alimentares e comportamentais por ocasião da morte de Jesus Cristo.

Por este motivo, durante as festas de Carnaval é tradição os excessos alimentares e comportamentais, a festa transformou-se em rito de despedida dos Católicos antes da Quaresma.